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Fernanda Ávila
Fernanda Ávila07/07/2026 21:35
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Da Engenharia à Tecnologia da Informação: uma jornada movida pelo aprendizado contínuo

    "Nenhuma experiência é desperdiçada. Cada etapa da minha trajetória se tornou a base para construir a próxima."

    Vivemos em uma época em que a tecnologia redefine profissões, cria novas oportunidades e transforma a forma como nos relacionamos com o mundo. Aprender continuamente deixou de ser um diferencial: tornou-se essencial.

    Foi essa percepção que me levou a refletir sobre minha trajetória profissional e a iniciar, de forma consciente, minha transição para a área de Tecnologia da Informação. Este artigo é mais do que um relato: é um registro de como disciplina, curiosidade e coragem podem abrir novos caminhos — e de como uma carreira construída em outra área pode ser, na verdade, o alicerce mais sólido para essa mudança.

    Minhas primeiras conexões com a tecnologia

    Minha primeira formação foi como Técnica em Telecomunicações. Ali tive contato com programação em Assembly e com Redes de Computadores. Na época, eram apenas disciplinas obrigatórias, mas hoje percebo que foram sementes plantadas para o futuro.

    Lembro-me de um exercício em que precisei escrever um pequeno programa em Assembly para manipular registradores. Naquele momento, não compreendia a profundidade do que estava fazendo, mas a sensação de "dar vida" a uma máquina ficou marcada. Eu não sabia nomear aquilo na época, mas hoje entendo: foi meu primeiro contato real com lógica de programação, muito antes de eu saber que um dia isso teria nome — algoritmo, lógica condicional, estrutura de dados.

    Mais tarde, na graduação em Engenharia Elétrica, mergulhei em C++, eletrônica e sistemas complexos. Aprendi a resolver problemas de forma lógica, a analisar circuitos e a lidar com desafios que exigiam paciência e precisão. Essas competências moldaram minha forma de pensar: estruturada, analítica e voltada para soluções. Um circuito não perdoa erro de raciocínio, assim como um código não perdoa uma lógica mal formulada — e foi na engenharia que aprendi a testar, errar, ajustar e testar de novo, sem me frustrar com o processo.

    Olhando para trás, percebo que cada experiência foi como uma peça de um quebra-cabeça. Só agora, ao unir Engenharia e TI, consigo ver a imagem completa. E talvez essa seja a primeira lição importante para quem também pensa em migrar de área: raramente enxergamos o desenho final enquanto estamos no meio do processo.

    Uma carreira moldada pela Radiodifusão

    Embora formada em Engenharia Elétrica, segui carreira na Engenharia de Radiodifusão. Divido minha rotina entre uma emissora de televisão e um escritório especializado.

    Nesse ambiente, convivo diariamente com sistemas de transmissão, infraestrutura tecnológica e processos que exigem precisão. Foi ali que percebi: a tecnologia não apenas evolui, ela redefine tudo. O que antes dependia de equipamentos passou a envolver software, automação e integração inteligente.

    Um exemplo marcante foi quando participei da implementação de um novo sistema de transmissão digital. Antes, o processo era quase totalmente analógico, com ajustes manuais e equipamentos robustos. De repente, softwares passaram a controlar fluxos inteiros de informação. Essa mudança me fez enxergar que o futuro estava no código. Pela primeira vez, percebi com clareza que a engenharia que eu conhecia — feita de hardware, sinais e infraestrutura física — estava sendo redesenhada por camadas de software cada vez mais sofisticadas.

    Isso não me assustou. Pelo contrário: despertou em mim uma curiosidade que eu não sabia que existia. Não queria apenas usar tecnologia. Queria compreender como ela era construída.

    Por que escolhi a Tecnologia da Informação

    Pesquisando sobre TI, descobri um universo diverso: desenvolvimento de software, banco de dados, inteligência artificial, computação em nuvem, segurança da informação e muito mais.

    Essa diversidade despertou em mim algo essencial: a possibilidade de unir minha curiosidade natural com a vontade de crescer continuamente. Não escolhi TI apenas para mudar de carreira, mas porque encontrei nela um ambiente onde aprender é parte do trabalho.

    Além disso, percebi que a TI é uma área que valoriza a interdisciplinaridade. Minha bagagem em Engenharia não é descartada; pelo contrário, me dá diferencial. Saber lidar com sistemas complexos, ter raciocínio lógico e experiência prática em ambientes tecnológicos são competências que se conectam perfeitamente com os desafios da TI. Quando estudo lógica de programação, por exemplo, reconheço padrões de raciocínio muito parecidos com os que usava para depurar falhas em sistemas de transmissão: isolar variáveis, testar hipóteses, eliminar possibilidades até chegar à causa raiz.

    Foi nesse contexto que decidi iniciar o curso de Gestão de Tecnologia da Informação no Cesar School, como forma de estruturar minha transição de carreira e aprofundar conhecimentos em um ambiente acadêmico conectado ao mercado. Essa escolha reforçou meu compromisso em unir prática e teoria, garantindo que minha jornada fosse construída sobre bases sólidas e alinhadas às demandas atuais da área. 

    Outro fator decisivo foi perceber o impacto social da tecnologia. Enquanto a Engenharia de Radiodifusão conecta pessoas por meio da comunicação, a TI conecta o mundo inteiro por meio da informação. Essa amplitude me encantou. Passei a enxergar a TI não como uma ruptura com o que eu já era, mas como uma expansão natural do que sempre me motivou: usar tecnologia para aproximar pessoas e resolver problemas reais.

    O desafio de conciliar rotina e estudos

    Conciliar dois empregos e ainda dedicar horas a estudos em programação, Banco de Dados, Inteligência Artificial e Desenvolvimento Full Stack é desafiador.

    Minha rotina começa cedo, com atividades na emissora de televisão. À tarde, sigo para o escritório de engenharia. Quando muitas pessoas encerram o expediente, começa meu momento de estudo.

    Existem dias em que o cansaço pesa. Já aconteceu de abrir um curso online e sentir que não tinha energia para continuar. Nessas horas, aprendi que motivação oscila, mas disciplina mantém o ritmo. Não é sobre ter vontade todos os dias — é sobre criar um compromisso comigo mesma que não depende do meu humor no fim de um dia longo.

    Cada aula concluída, cada exercício resolvido e cada projeto desenvolvido é um passo em direção à profissional que desejo me tornar.

    Foi essa constância que me permitiu concluir meu primeiro Bootcamp com a Accenture/DIO em Python para Análise de Dados e seguir no programa Dev Full Stack Básico da Atlântico Avanti, além de aprofundar estudos em Python e Inteligência Artificial. Recentemente, também comecei a colocar a mão na massa em projetos práticos de Banco de Dados — modelando entidades, relacionamentos e estruturas SQL do zero — o que tem sido, até aqui, um dos exercícios mais desafiadores e recompensadores dessa transição, porque exige pensar de forma estruturada sobre como o mundo real se traduz em dados.

    Descobri que não é necessário estudar horas seguidas todos os dias; o segredo está na constância. Quinze minutos bem aproveitados podem ser mais valiosos do que uma noite inteira de estudo sem foco. Essa mentalidade me ajudou a transformar pequenos avanços em grandes conquistas.

    Se você também está conciliando trabalho, estudos e outros compromissos, provavelmente já percebeu que nem sempre é possível estudar por horas. Foi justamente nesse momento que entendi que constância vale mais do que quantidade. Prefiro vinte minutos de estudo focado, todos os dias, a três horas esporádicas uma vez por semana — porque o cérebro aprende por repetição, não por intensidade isolada.

    Inteligência Artificial: um novo horizonte

    Entre todos os temas, a Inteligência Artificial me fascina. Inicialmente queria apenas entender como funcionava. Hoje busco aplicá-la de forma estratégica: desenvolver habilidades em Engenharia de Prompt, organizar estudos, automatizar tarefas e aumentar a produtividade.

    Percebi que a IA não substitui o conhecimento humano — ela o potencializa. Saber formular perguntas e aplicar senso crítico é o que transforma ferramentas em resultados reais.

    Um exemplo prático: ao estudar Banco de Dados, utilizei IA para gerar consultas SQL de forma mais rápida, mas precisei compreender a lógica por trás para validar e ajustar. Isso me mostrou que a ferramenta acelera, mas não substitui o aprendizado. Se eu apenas copiasse a consulta sem entender por que ela funciona, teria resolvido o exercício, mas não teria aprendido nada — e o objetivo, no fim, nunca é entregar uma tarefa, é internalizar um raciocínio.

    Outro caso foi quando usei IA para organizar meu cronograma de estudos. Em vez de gastar horas planejando, consegui estruturar semanas inteiras em minutos. Isso me deu mais tempo para focar no que realmente importa: aprender.

    Durante o Bootcamp, também tive contato com o NotebookLM, uma ferramenta que me deixou especialmente empolgada. Diferente de simplesmente "perguntar qualquer coisa" a uma IA, o NotebookLM me ajuda a estudar com base em fontes confiáveis, organizando informações e permitindo que eu aprofunde o conteúdo de forma estruturada. Essa experiência me mostrou que não basta ter acesso à tecnologia: é preciso saber utilizá-la com consciência, validando informações e construindo aprendizado sólido.

    Acredito que aprender a trabalhar com IA será uma das competências mais importantes para qualquer profissional nos próximos anos. Não apenas para programadores, mas para qualquer área que lide com informação — e isso inclui praticamente todas as profissões que existem hoje.

    O que aprendi até aqui

    Alguns aprendizados se tornaram guias práticos nessa jornada:

    Nunca é tarde para aprender algo novo. A idade ou o tempo de carreira não são barreiras, mas oportunidades de reinvenção. Quem já construiu uma trajetória profissional carrega consigo maturidade, disciplina e resiliência — recursos que fazem toda diferença ao aprender algo do zero.

    Conhecimento nunca é desperdiçado. Cada experiência, mesmo que pareça distante, pode se tornar base para novos desafios. Minha vivência em Assembly, décadas atrás, hoje me ajuda a entender lógica de programação com mais naturalidade do que eu imaginava.

    Pequenos avanços diários geram grandes transformações. Constância supera intensidade. Isso vale para estudos, para carreira e, honestamente, para qualquer mudança de vida significativa.

    Errar faz parte do processo. Cada erro é um degrau para o aprendizado. Um código que não roda na primeira tentativa não é fracasso — é parte do caminho normal de quem está construindo algo.

    Toda experiência profissional pode servir de base para novos desafios. Minha trajetória em Telecomunicações e Radiodifusão é prova disso.

    Esses aprendizados não são apenas frases motivacionais. São resultados concretos de uma jornada que exige esforço, mas também recompensa com crescimento pessoal e profissional.

    O que espero construir na TI

    Hoje estou explorando diferentes áreas da Tecnologia da Informação, como Banco de Dados, Desenvolvimento Full Stack, Python e Inteligência Artificial, para compreender onde posso gerar maior impacto. Essa diversidade de possibilidades é, ao mesmo tempo, desafiadora e estimulante, pois cada nova disciplina abre portas para caminhos que ampliam minha visão sobre o papel da tecnologia no mundo.

    Mais do que escolher uma tecnologia específica, meu objetivo é construir uma carreira baseada em três pilares:

    Aprendizado contínuo — manter-me em constante evolução, acompanhando tendências e atualizando conhecimentos.

    Resolução de problemas — aplicar a tecnologia para enfrentar desafios reais, otimizando processos e criando soluções que façam diferença.

    Transformação do conhecimento em soluções — transformar teoria em prática, ideias em resultados e aprendizado em impacto.

    Mais do que dominar linguagens de programação ou ferramentas específicas, quero desenvolver a capacidade de aprender, desaprender e reaprender sempre que necessário. Essa flexibilidade é, para mim, a verdadeira essência da TI e o que sustentará minha trajetória a longo prazo. Imagino um futuro em que poderei aplicar meus conhecimentos para fortalecer empresas e criar projetos que unam tecnologia e propósito — usando aquilo que aprendo hoje como ponte entre desafios reais e soluções concretas.

    Reflexão final

    Este é apenas o primeiro capítulo da minha jornada na TI. Nos próximos textos, quero compartilhar aprendizados em Banco de Dados, Python, Inteligência Artificial e Desenvolvimento Full Stack, além de projetos e reflexões que forem surgindo pelo caminho.

    Quero que minha trajetória seja lembrada não apenas pela evolução técnica, mas pelo impacto positivo que posso gerar em equipes, organizações e na sociedade. Mais do que acompanhar a evolução tecnológica, quero participar ativamente da construção dela, contribuindo para soluções que transformem realidades e aproximem pessoas.

    Se este artigo inspirar alguém a acreditar que sempre é possível aprender e investir no próprio crescimento, já terá cumprido seu propósito.

    A tecnologia evolui todos os dias. E você: vai esperar a mudança acontecer ou vai se preparar para fazer parte dela?

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