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Suellen Oliveira
Suellen Oliveira17/06/2026 22:36
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Aos 32 anos, descobri que o maior desafio da tecnologia não era programar

    Uma reflexão sobre mudança de carreira, insegurança e a importância de continuar aprendendo.

    Aos 27 anos, eu me sentia velha para começar algo novo.

    Hoje tenho 32 anos e percebo que o problema não era a idade. Era o medo.

    Ao longo da minha vida, precisei me reinventar várias vezes. Vivi intensamente o esporte durante anos como atleta e instrutora de kickboxing, mudei de país, trabalhei com turismo, empreendi com uma empresa de brownies e passei a ajudar na gestão dos negócios da minha família.

    Mesmo acostumada a recomeçar, a tecnologia me apresentou um desafio diferente.

    O maior obstáculo não era aprender programação.

    Era acreditar que eu era capaz.

    Como a tecnologia entrou na minha vida

    Meu interesse pela tecnologia não surgiu de repente. Desde muito nova eu gostava de computadores, criava blogs, fazia pequenas alterações em HTML e passava horas tentando resolver problemas nos meus próprios equipamentos.

    Mesmo assim, nunca me considerei inteligente o suficiente para trabalhar na área.

    Essa visão começou a mudar quando assisti a vídeos de mulheres que também estavam migrando para a tecnologia. Pela primeira vez, percebi que conseguia entender os assuntos que elas explicavam e comecei a questionar uma crença que carreguei por anos: talvez eu não precisasse ser um gênio para trabalhar com tecnologia.

    Antes mesmo da faculdade, a tecnologia já fazia parte da minha rotina. Quando minha mãe abriu sua loja, assumi a responsabilidade de aprender a criar um site, administrar sistemas e cuidar da presença digital do negócio. Eu não sabia como fazer nada disso, mas tinha curiosidade e disposição para aprender.

    Pesquisei, estudei e criei um site utilizando WordPress. Aos poucos, passei a administrar sistemas, redes sociais e outras ferramentas necessárias para o funcionamento da empresa.

    Foi nesse período que percebi uma característica que me acompanha até hoje: eu não sou a pessoa que já sabe fazer. Eu sou a pessoa que descobre como fazer.

    O peso da insegurança

    Mesmo depois de ingressar em Ciência da Computação, a insegurança continuou presente.

    Durante muito tempo, acreditei que precisava saber tudo antes de me candidatar a uma vaga. Achava que precisava dominar várias linguagens, ter um portfólio perfeito e falar inglês fluentemente.

    Essa mentalidade me fez perder oportunidades.

    Cheguei a recusar uma proposta porque acreditava que meu inglês técnico não era bom o suficiente e porque não me sentia preparada. Enquanto isso, eu via outras pessoas avançando na carreira mesmo sem saber tudo.

    Com o tempo, comecei a perceber que estava exigindo de mim mesma algo que nem os profissionais mais experientes conseguem fazer: saber tudo.

    Foi aí que comecei a entender uma verdade importante: ninguém sabe tudo.

    Aprender também é repetir

    Outro aprendizado marcante foi perceber que aprender não é decorar.

    Durante a faculdade, muitas vezes precisei voltar ao mesmo conteúdo várias vezes até compreendê-lo de verdade. Em alguns momentos, achei que não estava evoluindo. Mas bastava uma prova ou um exercício para perceber que o conhecimento estava sendo construído.

    A repetição não me atrasou. Ela construiu minha base!

    Hoje também utilizo a Inteligência Artificial como uma aliada nos estudos. Ela me ajuda a revisar códigos, organizar ideias, entender conceitos e otimizar meu tempo. Não substitui o aprendizado, mas acelera o processo e me ajuda a ganhar confiança.

    Embora eu ainda esteja em busca da minha primeira oportunidade formal na área de tecnologia, já consigo enxergar minha evolução. Hoje sou procurada para ajudar com sistemas, softwares, problemas técnicos e pequenas demandas relacionadas à tecnologia.

    Quando analiso vagas, percebo que muitas das competências exigidas já fazem parte da minha formação ou estão próximas de serem desenvolvidas.

    A diferença é que agora consigo enxergar isso.

    O que aprendi nessa jornada

    Se existe algo que aprendi nessa transição de carreira é que a idade não é o principal obstáculo para uma mudança profissional.

    Aos 27 anos, eu me sentia velha para começar.

    Hoje, aos 32, percebo que o tempo passou de qualquer forma.

    Por isso, meu conselho para quem está pensando em migrar para a tecnologia ou para qualquer outra área é simples: não espere se sentir totalmente pronto para começar.

    Estude. Pratique. Peça ajuda quando precisar. E não tenha medo de voltar ao básico quantas vezes forem necessárias.

    Um dia você vai olhar para trás e perceber que sabe muito mais do que imaginava.

    Muitas pessoas vão chamar isso de inteligência.

    Mas quem viveu o processo sabe que a palavra correta é persistência.

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