A IA na educação e a produção personalizaa e material para a inclusão de estudantes em AEE
Muitas são as variáveis que poderia utilizar para ao escrever esse artigo, mas o tema que mais me tocou, ao tratar da utilização da IA na educação, ao cursar o bootcamp do Santander EducaIA, em parceria com a plataforma do DIO, foi a personalização de material para estudantes em Atendimento Educacional Especializado (AEE).
A escolha não foi aleatória, pois sou professor de história, dos anos finais do ensino fundamental, da educação básica, em escola da rede pública de educação. Atuei em 2025 em turmas dos sétimos e oitavos anos, tenho nessas sete turmas, em torno de 15 estudantes com laudo, alguns em investigação e outros sem nenhuma investigação por parte dos responsáveis, mesmo após serem alertados da necessidade dessa, pela equipe pedagógica.
Esse quadro é extremamente desafiador para o docente, pois, de forma geral, a maioria não tem a formação específica para fazer a inclusão desses estudantes e garantir a acessibilidade e a eliminação de barreiras, o que torna a docência muito difícil para docentes e também sofrível para os estudantes e suas famílias. Além da questão do desafio, que é preparar diversos tipos de materialidades acessíveis que contemplem os diferentes níveis de aprendizagem, as diversas deficiências e transtornos específicos de aprendizagem. Diante desta complexidade do quadro apresentado, torna-se sobre-humano para os docentes, em sala de aula, a produção de materiais que contemplem a diversidade de laudos que estão presentes no cotidiano das escolas, como por exemplo o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), o Transtorno Opositor Desafiador (TOD), o Transtorno do Espectro Autista (TEA), em seus diferentes níveis de suporte), Deficiência Intelectual (DI), Deficiência Física (DF), Deficiência Auditiva (DA), Deficiência Visual (DV), dislexia, dislalia, discalculia, disortografia entre outros. Diante do exposto fica a pergunta: Como que o docente, com formação inicial, em licenciatura especifica e por vezes deficiente e com pouca ou nenhuma formação continuada, conseguirá dar conta da acessibilidade pedagógica e da complexidade de demandas que se encontram no contexto da sala de aula, numa escola comprometida com a inclusão?
As ferramentas de IA estão aí para auxiliar de forma significativa o trabalho docente nessa tarefa de produzir material inclusivo. O desafio continua, mas saber que podemos utilizar um instrumento para auxiliar na tarefa de produzir material inclusivo é muito promissor.
Portanto damos boas-vindas ao surgimento e utilização da IA na educação. O que caberia agora é o engajamento docente nas formações sobre o tema e a oferta de formação continuada, por parte das redes mantenedoras de educação para que os professores se apropriem desses conhecimentos e possam ter maior autonomia e assertividade em sala de aula, beneficiando não só os estudantes com deficiências e transtornos, mas a todos os alunos, o que é chamado de DUA (Desenho Universal da Aprendizagem).
O desafio é grande, mas já temos uma luz jogada sobre a escuridão que pairava anteriormente. Cabe ressaltar ainda os desafios éticos e de vieses para a utilização da IA para esse fim.
Texto elabora em colaboração com Alalízia Meira Bustamante.




