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Tainara Carvalho
Tainara Carvalho13/04/2026 15:29
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Uso de IA para individualização do ensino

    Atualmente existe uma grande disparidade entre o nível de conhecimento entre os alunos de uma mesma sala de aula. Com o decorrer dos anos e com a implantação de políticas de ensino que acabam priorizando a aprovação do aluno em detrimento do aprendizado efetivo, como é visto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei 9394/96, artigo 32, parágrafo segundo) que trata da progressão continuada dos alunos no ensino fundamental acabaram por permitir um acúmulo de deficiências de aprendizagem que ficam extremamente evidentes no ensino médio, onde, de certa forma, é feita uma grande revisão dos conteúdos aprendidos até então.

    Consequentemente, para as turmas de ensino médio atuais, ainda temos o agravante da pandemia que fez com que os alunos que atualmente estão no segundo ano do ensino médio (objetos de observação nesse estudo) tivessem o início do seu ensino fundamental II (5° e 6° anos) cursados de maneira remota, com muita disparidade nas condições de acompanhamento do conteúdo que foi lecionado.

    Além disso, em escolas onde a maioria dos estudantes atendidos pertencem ao ambiente rural as dificuldades observadas foram desde os pais não poderem acompanhar a vida escolar dos filhos devido ao trabalho, até a ausência de acesso a internet para auxiliar na obtenção de conhecimento sobre o conteúdo ministrado.

    Nesse sentido, as apostilas do Plano de Estudo Tutorado, conhecidas como PET, disponibilizadas aos alunos foram elaboradas em tempo recorde a fim de minimizar os impactos do fechamento das escolas, contudo o conteúdo e a forma de “lecionar” eram extremamente genéricas e sem adaptação a individualidade das escolas.

    Consequentemente, os alunos que não dispunham de recursos para acompanhar as vídeo aulas e os grupos de estudos que foram criados, geralmente, já pertencentes aos grupos mais vulneráveis, ficaram ainda mais prejudicados, sendo por muitas vezes também, os maiores detentores de dificuldades de aprendizado desde a pré-pandemia, ou seja, já possuíam um déficit de aprendizado.

    Além desses desafios imediatos enfrentados pelas escolas durante a pandemia, pesquisas nacionais evidenciam que os impactos na aprendizagem foram deveras muito significativos, e mesmo havendo sinais de recuperação, os níveis médios de desempenho dos estudantes brasileiros em Língua Portuguesa e Matemática ainda não retornaram aos patamares observados em 2019. A etapa de aprendizagem mais afetada foi o Ensino Médio, onde apenas uma pequena parcela dos alunos alcançou níveis considerados adequados de aprendizagem.

    Outro aspecto relevante é o aprofundamento das desigualdades educacionais que já vinham sendo observadas aos longos anos e que foram evidenciadas com esse estudo. As diferenças de desempenho entre estudantes de escolas públicas e privadas, bem como entre diferentes grupos raciais e socioeconômicos, tornaram-se ainda mais marcantes no período pós-pandemia. Isso reforça que os efeitos da crise sanitária não foram homogêneos: os alunos mais vulneráveis, que já enfrentavam dificuldades estruturais, foram os mais prejudicados.

    Esses dados ajudam a compreender que o cenário atual exige não apenas estratégias de recomposição da aprendizagem, mas também políticas e práticas pedagógicas que considerem a diversidade dos estudantes e promovam maior equidade.

    Nesse contexto, o uso de tecnologias digitais e de ferramentas de Inteligência Artificial pode ser explorado como alternativa para individualizar o ensino e reduzir parte dessas desigualdades, desde que aplicado de forma crítica e orientada para o desenvolvimento do raciocínio lógico e da autonomia dos alunos (TODOS PELA EDUCAÇÃO, 2025).

    Em paralelo a tudo isso, aconteceu o boom das tecnologias, o uso das redes sociais como local de obtenção de informações em tempo real na época da pandemia e no pós-pandemia criou um cenário de dependência tecnológica por parte da população. No retorno as aulas presenciais, o celular havia se tornado quase que parte do material escolar dos estudantes, porém o analfabetismo digital gerou prejuízos enormes ao aprendizado dos estudantes e o uso indiscriminados da Inteligência Artificial degradou também o pensamento crítico e o raciocínio lógico aumentando um abismo que já era bastante extenso.

    Contudo, o analfabetismo digital é algo que não era exclusivo dos estudantes, pois a educação se digitalizou de maneira muito rápida e muitos profissionais não conseguiram acompanhar toda essa mudança. Muitos dos maus hábitos adquiridos pelos estudantes durante o ensino remoto advêm da falta de conhecimento dos próprios educadores, que se viram cercados por uma realidade nunca imaginada.

    Por outro lado, a tecnologia atuou como uma ferramenta muito útil num momento de extrema necessidade e de lá para cá, com a aquisição de conhecimento e experiência os educadores podem, cada vez mais, usar a tecnologia a seu favor.

    Todavia, antes de implementar o uso das tecnologias como ferramentas de ensino é preciso assegurar que os professores entendam e façam o uso correto de tais ferramentas, uma vez que estão em posição de propagar o conhecimento e não devem fazê-lo de maneira equivocada e talvez, até mesmo prejudicial aos alunos, que já veem tendo prejuízos significativos ao longo desses últimos anos.

    A tecnologia pode ser uma ótima aliada aos humanos em todas as áreas de atuação, quando usada de maneira correta e a Inteligência Artificial podem ser a ferramenta que permitirá a mitigação da disparidade de conhecimento entre os estudantes e quem sabe, até mesmo promover um certo nivelamento do conhecimento entre os níveis socioeconômicos dos estudantes, criando assim oportunidades de crescimento a quem antes somente sonhava em poder mudar sua realidade.

    Este trabalho busca investigar como o uso da Inteligência Artificial pode contribuir para individualizar o ensino sem aumentar a carga de trabalho para o professor. A tecnologia será usada para fazer a parte de diversificar o conteúdo de acordo com o nível de cada aluno e promover maior equidade no aprendizado dos estudantes do ensino médio técnico.

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