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Beatriz D'Addea18/04/2026 16:44
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O Surgimento e a Evolução da Inteligência Artificial

  • #Inteligência Artificial (IA)

Introdução

A Inteligência Artificial (IA) é hoje uma das tecnologias mais transformadoras e marcantes do século XXI. Foram desenvolvidos assistentes virtuais, modelos de linguagem avançados e sistemas de recomendação fazem parte do cotidiano de bilhões de pessoas. Mas esse cenário não surgiu do nada ela é fruto de décadas de pesquisa, experimentos e visões pioneiras que remontam ao início da computação moderna.

Este artigo traça uma linha do tempo dos principais marcos históricos da IA, desde as primeiras questões filosóficas levantadas por Alan Turing na década de 1950 até a popularização dos grandes modelos de linguagem atuais. Ao compreender essa trajetória, conseguimos enxergar não apenas como chegamos até aqui, mas também o que nos espera nos próximos anos.

1950 — Alan Turing e o Teste da Imitação

O ano de 1950 marcou o início de uma das mais profundas reflexões sobre a natureza da inteligência: "É possível que um computador passe por humano?" Essa pergunta foi formulada por Alan Turing, matemático britânico considerado o pai da computação, em seu artigo seminal Computing Machinery and Intelligence.

Para responder a essa questão, Turing propôs o chamado Jogo da Imitação (também conhecido como Teste de Turing). No experimento, um participante humano interagia, por meio de mensagens digitadas, com dois respondentes: um computador e um ser humano. Se o avaliador não conseguisse distinguir qual era qual, considerava-se que a máquina havia demonstrado comportamento inteligente.

O Teste de Turing tornou-se um dos conceitos mais influentes e debatidos da ciência da computação, estabelecendo um critério funcional para a inteligência artificial que reverberou por década e que continua relevante até hoje.

1955 — John McCarthy e o Termo "Inteligência Artificial"

Em 1955, o cientista da computação John McCarthy, sendo considerado um dos pais fundadores da IA, propôs formalmente o campo da Inteligência Artificial como disciplina acadêmica. McCarthy foi responsável por criar o próprio termo "Artificial Intelligence" e por organizar a histórica Conferência de Dartmouth em 1956, que reuniu os principais pesquisadores da época.

Além de seu papel conceitual, McCarthy contribuiu de forma prática e duradoura ao desenvolver o LISP (List Processing), uma linguagem de programação criada para facilitar a manipulação de símbolos e listas, operações fundamentais com o objetivo de imitar a maneira como os seres humanos raciocinam e processam informações, sua contribuição lançou as bases sobre as quais toda a pesquisa subsequente em IA foi construída.

1966 — Joseph Weizenbaum e o Primeiro Chatbot do Mundo

Em 1966, o professor Joseph Weizenbaum, do MIT (Massachusetts Institute of Technology), criou o ELIZA que é o primeiro chatbot da história. O programa utilizava uma técnica de substituição de palavras por padrões para simular uma conversa em linguagem natural, sem realmente compreender o conteúdo das mensagens.

A ELIZA representou um salto conceitual importante: pela primeira vez, um ser humano podia interagir com um computador usando sua própria língua (linguagem natural), sem precisar aprender comandos técnicos complexos. O programa ficou famoso por imitar um terapeuta, e muitos usuários chegavam a se apegar emocionalmente às conversas um fenômeno que surpreendeu o próprio Weizenbaum.

A criação da ELIZA também abriu caminho para importantes discussões sobre ética em tecnologia: até que ponto as pessoas podem ou devem confiar em máquinas? Quais são os riscos de antropomorfizar sistemas artificiais?

Essas questões, levantadas por Weizenbaum, permanecem centrais no debate contemporâneo sobre IA.

Sete décadas depois de sua criação, a ELIZA é reconhecida como a precursora direta dos assistentes de conversação modernos, como o ChatGPT, o Claude e outros modelos de linguagem de grande escala.

1972 — Kenneth Colby e o Modelo PARRY

Em 1972, o psiquiatra Kenneth Colby, da Universidade Stanford, desenvolveu o PARRY, que é um programa que simulava os padrões de linguagem e comportamento de um paciente. Diferentemente da ELIZA, que era relativamente simples em sua estrutura, o PARRY possuía um modelo interno de estados emocionais e crenças, representando um avanço na sofisticação dos sistemas de linguagem natural.

O projeto de Colby trouxe contribuições importantes em duas frentes. Do ponto de vista técnico, o PARRY demonstrou que era possível modelar aspectos do comportamento humano em linguagem computacional, contribuindo para o desenvolvimento inicial dos modelos de linguagem. Do ponto de vista ético, aprofundou o debate sobre o uso responsável da IA em contextos sensíveis, como a saúde mental.

1984 — IA Criativa: o Primeiro Livro por Computador e Carla, o Chatbot Brasileiro

O ano de 1984 trouxe dois marcos interessantes no desenvolvimento da IA: um internacional e um brasileiro.

Nos Estados Unidos, William Chamberlain publicou The Policeman's Beard is Half Constructed, considerado o primeiro livro de prosa e poesia escrito integralmente por um programa de computador chamado RACTER. Com exceção da introdução escrita pelo próprio Chamberlain, todo o conteúdo da obra foi gerado pela máquina.

No Brasil, Rodrigo de Almeida Siqueira desenvolveu a Carla, um chatbot que marcou a presença do país nesse campo ainda incipiente. A Carla evidenciou que a pesquisa em IA não era exclusividade dos grandes centros tecnológicos do hemisfério norte, e que o Brasil já demonstrava interesse e capacidade técnica nessa área.

Anos 2000 — IA Restrita ao Ambiente Acadêmico

Durante a maior parte dos anos 2000, os avanços em inteligência artificial permaneceram confinados a laboratórios de universidades e centros de pesquisa de ponta. Os experimentos eram complexos, exigiam infraestrutura cara e demandavam conhecimento técnico altamente especializado.

Apesar de estar longe do alcance do público geral, esse período foi fundamental: foram nesses anos que técnicas essenciais como redes neurais profundas, aprendizado de máquina e o processamento estatístico de linguagem natural amadureceram e se consolidaram, preparando o terreno para a explosão tecnológica que viria na década seguinte.

2010 — IBM Watson e a IA para o Público Geral

Em 2011, a IBM apresentou ao mundo o Watson, um sistema de IA capaz de compreender e responder perguntas em linguagem natural. O marco simbólico de sua estreia foi a participação em um programa americano de perguntas e respostas, no qual o Watson derrotou campeões humanos o que se tornou um feito que chamou atenção global.

O Watson representou um ponto de inflexão importante: pela primeira vez, uma ferramenta de IA sofisticada era apresentada ao público em geral, sem exigir formação avançada em ciência da computação. O sistema utilizava Processamento de Linguagem Natural (PLN) para interpretar perguntas ambíguas e buscar respostas em grandes bases de dados.

A iniciativa da IBM sinalizou que a IA estava deixando de ser um projeto de nicho acadêmico para se tornar uma tecnologia com aplicações práticas em negócios, saúde, educação e entretenimento.

2022/2023 — ChatGPT e a Nova Era da IA Generativa

O lançamento do ChatGPT pela OpenAI, no final de 2022, e tendo sua consolidação ao longo de 2023, marcou uma ruptura definitiva na forma como a humanidade se relaciona com a inteligência artificial. Pela primeira vez, qualquer pessoa com acesso à internet podia interagir com um modelo de linguagem de grande escala diretamente pelo navegador, sem custo inicial e sem qualquer conhecimento técnico.

O modelo por trás do ChatGPT é o GPT (Generative Pre-trained Transformer), treinado em enormes volumes de texto e capaz de gerar respostas coerentes, informativas e contextualmente adequadas sobre praticamente qualquer assunto. Assistentes semelhantes, como o Claude (Anthropic) e o Gemini (Google), rapidamente surgiram como alternativas robustas, inaugurando uma nova era de competição e inovação no setor de tecnologias de Inteligência Artificial.

A acessibilidade desses sistemas trouxe à tona novos desafios e questionamentos sociais como a desinformação, questões de privacidade, direitos autorais, impactos no mercado de trabalho e a necessidade urgente de regulamentação.

Referências

[1] History of Information — First Book Written by a Computer Program (1984)

https://www.historyofinformation.com/detail.php?entryid=3806

[2] In.bot — História dos Bots e Chatbots

https://in.bot/chatbots/historia-dos-bots.php

[3] DIO — Bootcamp: Do Prompt ao Agente

https://www.dio.me/bootcamp/ci-t-do-prompt-ao-agente

[4] IBM — History of Artificial Intelligence

https://www.ibm.com/br-pt/think/topics/history-of-artificial-intelligence

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