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Carlos Pinheiro
Carlos Pinheiro19/05/2026 15:50
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O medo de comentar e a coragem de construir cultura pelo diálogo

    Eu sempre percebi que muitas pessoas têm medo de comentar publicações, de se fazerem ouvidas e de expor aquilo que pensam. Algumas não se sentem preparadas para organizar suas ideias sem parecer confusas; outras simplesmente têm vergonha de aparecer publicamente. Esse receio é compreensível, principalmente quando estamos em um ambiente de aprendizado, onde há pessoas com diferentes níveis de experiência, diferentes formas de pensar e diferentes maneiras de se expressar.

    Um dos medos mais comuns que já ouvi de colegas é o de falar algo antes de conhecer bem o ambiente. E, de certa forma, esse cuidado é saudável. Quando chegamos a um grupo, a uma comunidade ou mesmo a uma conversa em andamento, é importante observar primeiro: sobre o que estão falando? Qual é o tom da discussão? Minha opinião contribui de alguma forma? Ela pode ser polêmica, desconfortável ou mal compreendida? Esse tipo de prudência não deve ser confundido com silêncio permanente. Observar antes de falar é sabedoria; nunca falar por medo é uma forma de nos apagar.

    Ao mesmo tempo, nós não devemos nos negar a expressar nossas ideias e percepções. A DIO abre um espaço importante para que escrevamos sobre nós, sobre nossas experiências, dúvidas, aprendizados e inquietações dentro de um contexto educacional. Isso se chama cultura. A cultura de uma comunidade não nasce apenas dos conteúdos publicados oficialmente, mas também dos comentários, das curtidas, das discordâncias respeitosas e das conversas que surgem a partir de cada artigo. Os textos mais comentados e mais curtidos acabam revelando quais temas movimentam aquele ambiente e quais ideias estão sendo construídas coletivamente.

    Por isso, não devemos ter medo de dizer algo simples como “concordo com suas palavras” ou “discordo deste ponto”. O ideal é que, junto com essa posição, exista uma pequena justificativa, porque é ela que abre caminho para o diálogo. Quando eu explico por que concordo ou por que discordo, permito que o autor do artigo e outras pessoas acompanhem minha linha de raciocínio, ampliem a discussão ou até me ajudem a enxergar algo que eu ainda não tinha percebido. O problema não está em discordar, mas em lançar uma opinião fechada, inflexível e sem reflexão, causando desconforto sem acrescentar nada ao debate.

    Vivemos um momento de muita polarização de pensamentos, e isso aparece em várias áreas da vida. Muitas vezes, pessoas vistas como referência em seus grupos não conseguem fazer uma análise imparcial, separando aquilo com que concordam daquilo com que discordam. Em vez de debater a ideia, passam a atacar a pessoa. No debate, isso é conhecido como ad hominem: quando alguém abandona o argumento e tenta desqualificar o interlocutor. Esse tipo de postura empobrece a conversa, porque troca a busca por entendimento pela tentativa de vencer pela agressividade. O respeito ao outro continua sendo fundamental, mesmo quando o pensamento dele está diametralmente distante do nosso.

    Essa capacidade de debater com respeito é extremamente importante também dentro de uma empresa, principalmente no início de um projeto. Quando estamos definindo ferramentas, estratégias, requisitos do sistema, experiência do usuário, arquitetura, prazos e prioridades, ideias diferentes precisam aparecer. Muitas vezes, podemos nos sentir boicotados porque nossas sugestões nunca são aceitas, mas talvez o problema esteja na forma como nos expressamos, ou talvez ainda faltem argumentos técnicos mais sólidos para sustentar o que estamos propondo. Participar de debates em artigos, fóruns e comunidades nos ajuda justamente a amadurecer essa capacidade de argumentação.

    Eu já vivi situações em que uma crítica necessária parecia causar medo ao redor. Certa vez, ao comentar um problema real de procedimento em uma empresa, um colega me disse: “Fala baixo, a câmera vai gravar”. Eu olhei para ele e respondi algo simples: eu não estava inventando nada, era um problema que precisava ser discutido e levado à direção. A grande questão é ser honesto nas palavras e ter a intenção de melhorar, não apenas criticar por criticar. Aqui mesmo na DIO, já vi críticas tristes e despreparadas, em que a pessoa parecia querer apenas desqualificar o professor, sem apresentar solução, sem propor outra abordagem e sem contribuir para o aprendizado coletivo. Crítica construtiva exige responsabilidade; crítica destrutiva apenas levanta poeira e não constrói caminho nenhum.

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    Comments (1)
    Marcos Ventilari
    Marcos Ventilari - 19/05/2026 22:27

    Carlos, diria que vivemos tempos bem difíceis! O curioso de tudo isso, é que estamos mergulhados num mundo de informação e conhecimento, entretanto, ao invés de nos aperfeiçoarmos como seres humanos, ao que parece, estamos regredindo.

    O narcisismo acelerado pela tecnologia e o natural egoísmo, próprio do ser humano, promovem um jogo inventado de vale tudo, numa busca bem incompreensível por ser mais e melhor que o outro. Transformando e deformando a psique, que passa a acreditar que de fato, existe uma tal porfia!

    Junto a tudo isso a dicotomia própria das ideologias nos reduz aos conceitos de direita, de esquerda, católico, evangélico, preto, branco, homem, mulher, bom, mau, bonito, feio, certo e errado, e por aí vai!

    A bem da verdade, isso tudo sempre existiu!

    A diferença é que atualmente, os conceitos foram absolutizados de uma tal forma que leva muitos a pensar que é o meu que tá certo. Como seu o conceito do mais que perfeito!

    É certo pensar que as ideologias servem para bem conduzir as nossas atitudes, pois num mundo em permanente mudança algo deve ser permanente, ainda que pelo momento de uma vida. Existe a necessidade de manutenção do status, tal como a natureza anseia por perenidade.

    Não obstante, a gente olha pro mundo, observa e pergunta: quando foi que existiu realmente o comunismo, tal qual pensado pelo seu teórico!? Quando a direita se fez mais presente no mundo, no que se transformou?

    Nas suas reflexões o filósofo Baruch de Espinosa, que nos diz que a vida é um esforço incessante para perseverar na própria existência e resistir à destruição. Resistir não é um ato de rebeldia passageiro, mas a própria força vital que nos move a buscar a alegria, o autoconhecimento e a liberdade.

    Isto posto para dizer que, resta aos mortais ter paciência em tempos em que a tolerância, a compreensão e o respeito, são palavras que não fazem sentido para a maioria das pessoas. Num tempo em que néscios perambulam pela terra, vociferando certezas absolutas que convencem até os mais nobres espíritos. Tenhamos paciência! Vai passar!