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Allan
Allan24/01/2023 22:08
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Microsoft e o misterioso Projeto Midori đŸ’»

  • #Inovação

Se vocĂȘ nunca ouviu falar do Projeto Midori, nĂŁo tem problema algum. A Microsoft sempre quis assim, atĂ© o seu amargo final.

Durante dez anos, esse projeto secreto nasceu, cresceu e morreu nas sombras. Sua meta era revolucionåria dentro da empresa: criar um sistema operacional que não tivesse qualquer ligação com a família Windows.

O que se sabe é que ele deveria ser uma implementação do Singularity, um outro sistema operacional experimental da Microsoft onde o kernel, as aplicaçÔes e os drivers de dispositivo seriam todos criados com managed code. Singularity surgiu nos laboratórios do Microsoft Research em 2003 e foi estudado até 2010, quando foi abandonado totalmente.

O time montado para criar o Midori deveria pegar os conceitos do Singularity e criar um sistema operacional novo, do zero, inclusive aplicaçÔes. A Microsoft na Ă©poca tinha um forte interesse em desenvolver um caminho evolutivo para fora do Windows nos Ășltimos anos da era Ballmer. No auge do projeto, ele chegou a reunir 100 profissionais. O futuro da Microsoft parecia estar sendo fabricado ali.

David Tarditi, um dos engenheiros envolvidos em seu desenvolvimento, explicou o Midori em seu LinkedIn:

“Eu comandava a equipe de ferramentas para o projeto Midori, assumindo o time de 4 pessoas atĂ© um bocado de pessoas. Midori era um sistema operacional escrito inteiramente em C# que atingia uma performance comparĂĄvel com a de sistemas operacionais de produção, menos os problemas de segurança e confiabilidade encontrados em sistemas operacionais escritos em C ou C++. NĂłs continuamos desenvolvendo o compilador Bartok utilizado no projeto Singularity de forma que ele poderia ser utilizado para escrever softwares de sistema com qualidade de produção em C#.”

Em 2008, parte do véu que cobria o projeto foi revelado. A jornalista Mary Jo Foley, especialista em tecnologia, conseguiu acesso aos bastidores da criação do Midori e publicou sobre o projeto em seu livro Microsoft 2.0:

“Existe um projeto em desenvolvimento na Microsoft que vem sido mantido a boca miĂșda. O projeto, codinome ‘Midori’, Ă© uma nova plataforma de sistema operacional da Microsoft que supostamente substituirĂĄ o Windows. Midori estĂĄ em incubação, o que significa que estĂĄ um pouco mais prĂłximo do mercado do que a maioria dos projetos da Microsoft Research, mas nĂŁo ainda perto o bastante para estar disponĂ­vel em qualquer forma de versĂŁo prĂ©via.”

“O que tambĂ©m Ă© interessante sobre o Midori Ă© quem estĂĄ comandando o projeto. Aquele que uma vez jĂĄ foi apontado como sucessor de Gates, Eric Rudder, estĂĄ encabeçando os esforços. Midori estĂĄ sendo incubado sob a asa do Chefe de Pesquisa e EstratĂ©gia, Craig Mundie. ‘Todos os sob seu comando (de Rudder no Midori) sĂŁo veteranos de muitos anos, tem um tĂ­tulo super pomposo, e estĂŁo voltando para suas origens e escrevendo cĂłdigo como eles provavelmente faziam nos velhos tempos’, um informante na Microsoft me contou.”

Entre esse grupo de notĂĄveis, descobriu-se a presença de nomes como Leif Kornstaedt, um dos maiores especialistas de CLR dentro da Microsoft; Joe Duffy, autor do livro Concurrent Programming on Windows; Tanj Bennett, elo de ligação com o Microsoft Research e entusiasta de ‘Sistemas Operacionais no Futuro’; Chris Brumme, arquiteto de software tambĂ©m egresso do time de CLR; e Pavel Curtis, com 13 anos de experiĂȘncia vindo dos laboratĂłrios da Xerox. TambĂ©m da Xerox, Daniel Lehenbauer descreveu seu trabalho no tal projeto misterioso como “o mais empolgante e revolucionĂĄrio trabalho que jĂĄ aconteceu na indĂșstria desde o PARC”, em referĂȘncia ao mĂ­tico Palo Alto Research Center, da Xerox.

Por volta de 2012, tudo parecia estar indo de vento em popa. Resultados secundårios da pesquisa apareciam em convençÔes e artigos científicos, sempre mencionando o Midori de forma vaga. Indícios apontavam para aplicaçÔes rodando em modo sandbox, um novo navegador incrivelmente råpido, performance sem igual.

ApĂłs um novo perĂ­odo de silĂȘncio, a Microsoft mudou. E começou a dança das cadeiras em sua infraestrutura.

No começo de 2015, Eric Rudder, aquele mesmo que uma vez foi apontado como sucessor de Bill Gates, saiu da empresa. Outra figuras-chave do projeto Midori jå haviam saído também. Não é difícil entender o motivo: Windows 10. Depois de quase dez anos de desenvolvimento, era claro que Midori não seria o sucessor do Windows porque a Microsoft não tinha mais qualquer interesse em lançar outro sistema operacional fixo. A estratégia passou a ser oferecer serviço: o próprio sistema operacional se transformara em um serviço, uma plataforma unificada para diversos dispositivos, atualizåvel, modular, perpétua.

Comenta-se que a Microsoft aproveitou parte do que foi desenvolvido no projeto em partes do Windows 10. Nada se perde, afinal.

Para quem tem interesse nos aspectos tĂ©cnicos do projeto, Joe Duffy publicou uma sĂ©rie de artigos em seu blog sobre seu trabalho dentro do Midori. Sobre o trĂĄgico destino do que poderia ter sido o sistema operacional que vocĂȘ utiliza hoje, Duffy escreveu:

“Eu serei o primeiro a admitir que nenhum de nĂłs sabia no que o Midori ia dar. Esse Ă© o caso frequente com pesquisa. Meu maior arrependimento Ă© que nĂłs abrimos o cĂłdigo desde o inĂ­cio, onde a meritocracia da internet poderia julgar seus pedaços apropriadamente. Assim como em todas as grandes corporaçÔes, decisĂ”es sobre o destino da tecnologia central do Midori nĂŁo foram totalmente conduzidas tecnicamente e, infelizmente, nem mesmo inteiramente conduzidas por negĂłcios.”

Fonte:

https://www.codigofonte.com.br/artigos/microsoft-e-o-misterioso-projeto-midori

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