Invista no saber: porque aprender sempre será melhor do que apenas guardar
Nesse artigo, você entenda porque é importante saber que mais do que ter um conteúdo armazenado em livros e mídias físicas ou digitais é tê-lo dominado no seu intelecto.
Muitas pessoas acreditam que, por terem acesso rápido de conteúdos na web, seja pelo Google ou a na própria plataforma da DIO, ou em uma estante cheia de livros, já possuem algum tipo conhecimento sólido. Mas existe uma grande diferença entre ter a informação guardada em um objeto e tê-la dominada na mente.
Embora os livros e a internet sejam ótimos para armazenar dados, o verdadeiro poder está naquilo que conseguimos carregar dentro dos recursos cognitivos que há em nós.
No entanto, existe o velho dilema de ter o livro versus saber o conteúdo.
Ter um livro na estante é como ter um mapa no bolso: ele mostra o caminho, mas não significa que você fez a viagem. Vejamos: Quando você domina um assunto, ele está disponível instantaneamente. Em uma conversa, em uma emergência ou em um teste, você não depende de bateria, sinal de internet ou de folhear páginas. O nosso cérebro é incrível porque ele mistura o que aprendemos hoje com o que já sabíamos antes. Um livro guardado não "troca ideias" com outros livros; mas, dentro da sua mente, as informações se cruzam e geram novas ideias e soluções criativas. Porém há casos em que as pessoas, dependendo do objetivo, querem soluções rápidas e práticas, o que pode, a médio e longo prazo, desestimular e estagnar o processo criativo.
Vamos a um exemplo no âmbito escolar. Segundo dados do Centro Regional de Estudos para o desenvolvimento da Sociedade da Informação (CETIC), em uma das mais recentes pesquisas sobre tecnologia nas escolas brasileiras, um relatório em que há comparação entre o uso passivo de dados e ativo indica que, embora 95% das escolas tenham acesso à rede, o uso ainda é muito focado na busca de informação (passivo) e pouco na criação e domínio (ativo).
O dado mais alarmante é aquilo que chamamos de desigualdade cognitiva, que mostra que alunos que utilizam a internet apenas para copiar conteúdos têm índices de alfabetização funcional menores do que aqueles que usam a tecnologia para pesquisa crítica e síntese.
Como aponta a pesquisa, sem o esforço de entender e guardar as coisas, nossa capacidade de raciocinar e de criticar o que lemos acaba diminuindo. É uma situação alarmante!
Hoje em dia, nesse cenário de hiperestimulação provocada pelo excesso de informações que temos disponível na web, existe sempre o risco de ficarmos preguiçosos mentalmente. De fato precisamos ter o foco para as coisas acontecerem, porque se, por exemplo, deixamos uma tarefa de pesquisa para depois, não apenas estamos procrastinando, mas também paramos de exercitar nosso cérebro.
Informação é apenas um dado solto; conhecimento é o que sobra depois que a gente entende esse dado.
Recomendo quatro ações práticas para começar hoje:
1. Pratique a recuperação ativa
Em vez de reler o mesmo parágrafo várias vezes, feche o livro ou desligue a tela e tente explicar o que acabou de ler para si mesmo.
• Ação: Após consumir um conteúdo, escreva em um papel, sem consultar, os três pontos principais. Se você não consegue explicar de forma simples, você ainda não domina o assunto.
2. Abandone o clássico "CTRL C e CTRL V"
O cérebro ignora o que é fácil. Quando você anota algo com as próprias palavras, está forçando seus neurônios a criarem novas conexões.
• Ação: Use a técnica de anotações Cornell ou faça mapas mentais à mão. O esforço físico de sintetizar a informação avisa ao seu cérebro que aquele dado é importante o suficiente para ser guardado.
3. Aplique a regra do "aprender para ensinar"
É assim: a melhor forma de consolidar algo no cérebro é agir como se você fosse dar uma aula sobre o tema. Isso expõe imediatamente as suas "lacunas" de conhecimento.
• Ação: Escolha um tópico que você quer dominar e tente explicá-lo para um amigo ou até para um "aluno imaginário". Onde você gaguejar é onde o seu domínio ainda falha.
4. Crie conexões, não gavetas
Atenção! O conhecimento isolado é esquecido. O conhecimento dominado é aquele que se conecta com o que você já sabe.
• Ação: Sempre que aprender algo novo, pergunte-se: "Como isso se relaciona com o que eu aprendi semana passada?" ou "Como posso aplicar isso no meu trabalho hoje?
Bem, tudo que foi explicado até aqui não é para dizer que os livros e as mídias físicas não são importantes. Eles funcionam como, vamos dizer assim, uma memória de reserva para a humanidade. Eles podem servir para outras coisas mas de preferencia para consultar detalhes técnicos ou para preservar a história.
No entanto, o objetivo de um livro só é alcançado de verdade quando ele é transmitido na prática para a mente de alguém. O papel é o transporte; o destino final é o seu pensamento, é a geração de insights que gera a inovação.
No fim das contas, o conteúdo armazenado em mídias externas é um recurso valioso, mas a capacidade de desenvolver a leitura ativa e o processo criativo é o que define quem somos e o que conseguimos fazer. Imagine só: e se amanhã todos os aparelhos eletrônicos parassem de funcionar? O seu valor real seria exatamente o tamanho daquilo que você aprendeu e guardou em si mesmo! O que você sabe é o único bem que ninguém pode tirar de você!




