Comunicação Estratégica para Profissionais Tech: por que saber programar não é o suficiente
Durante muito tempo, o mercado de tecnologia vendeu a ideia de que bastava dominar uma linguagem, entender de lógica e entregar código funcional para ter uma carreira sólida, talvez isso pudesse ser uma verdade há 15, 20 anos, hoje não mais. Só que quem já passou por uma entrevista de emprego, uma reunião com cliente ou uma simples apresentação de projeto sabe que isso é só uma parte da equação. Na mentoria "Comunicação Estratégica para Profissionais Tech" no Campus Expert, nosso mentor Felipe Aguiar, o Felipão, trouxe para nós que a comunicação não é um "extra" na carreira de quem trabalha com tecnologia, é parte do trabalho.
E o motivo é muito simples, não adianta ter a melhor solução técnica do mundo se você não consegue traduzi-la para quem precisa entender o seu valor, independente de quem seja.
Saber falar não é a mesma coisa que saber se comunicar
Esse foi um dos pontos mais interessantes da mentoria. Muita gente confunde as duas coisas, mas elas são bem diferentes.
Saber falar é conseguir articular frases, ter um vocabulário bom, não travar na hora de falar. Saber se comunicar vai além disso, é conseguir transmitir uma mensagem de um jeito que a outra pessoa realmente entenda, sinta confiança e se conecte com o que está sendo dito.
Uma pessoa pode falar muito bem tecnicamente e mesmo assim não se comunicar bem, porque não pensa em quem está do outro lado. Comunicação estratégica é justamente isso, analisar o contexto da situação e para quem será falado. É preciso pensar no receptor antes de pensar na mensagem.
Comunicação verbal, não verbal, direta e indireta
Ele também explicou que a comunicação acontece em várias camadas ao mesmo tempo, e a maioria das pessoas só presta atenção em uma delas.
Tem a parte verbal, que é o conteúdo em si, as palavras que você escolhe e a clareza da mensagem. Junto dela vem a comunicação não verbal, que muitas vezes fala mais alto do que qualquer palavra: a sua postura, sua expressão facial, o contato visual. É por isso que, às vezes, a pessoa concorda com você verbalmente, mas o corpo dela mostra o contrário.
Tem ainda a diferença entre ser direto e indireto. Comunicação direta é quando você fala exatamente o que precisa ser dito, sem enrolação. Já a indireta passa a mensagem através do contexto, do comportamento e até do silêncio, sem precisar verbalizar tudo.
Um exemplo curioso trazido na mentoria foi a série "Inventando Ana", da Netflix. Não conhecia a série, tive que ir atrás pra saber, e basicamente a personagem principal constrói toda uma imagem de sucesso e credibilidade não necessariamente pelo que ela diz, mas por como ela se porta, se veste e se apresenta. É um caso extremo, claro, mas ilustra bem um ponto real, em que as pessoas formam uma opinião sobre você antes mesmo de você terminar a primeira frase, só pela forma como você se apresenta.
Isso não significa que devemos fingir nada. Significa que aparência, postura e presença comunicam junto com as palavras, e ignorar isso é abrir mão de uma parte importante da mensagem.
O que você quer transmitir
Um ponto que fica claro na mentoria é que comunicação estratégica exige intenção. Tenha um objetivo claro na cabeça. Antes de falar em uma reunião, em uma entrevista ou até em uma postagem no Instagram, vale se perguntar, o que eu quero que a pessoa sinta ou entenda depois dessa interação? Isso muda completamente a forma como a mensagem é construída.
Por exemplo, um bom professor de idiomas não ensina apenas gramática, ele te ajuda a entender contextos diferentes, com pessoas diferentes, e em situações diferentes. Comunicação estratégica funciona da mesma forma.
Conclusão
O mercado de tecnologia mudou. Hoje, entregar um bom código é o ponto de partida, não o diferencial. Quem consegue unir competência técnica com comunicação estratégica sai na frente, seja em uma entrevista, em uma reunião de time ou na hora de defender uma ideia dentro de um projeto.
A mentoria do Felipão me deixou uma lição valiosa, comunicação não é sobre performar um personagem, é sobre ter clareza de intenção e considerar quem está do outro lado. E isso, diferente do que muita gente pensa, é uma habilidade que qualquer profissional tech pode e deve desenvolver.
E um desabafo pessoal para finalizar, por muito tempo na minha vida, a minha comunicação sempre foi um problema, sempre fui muito tímido. Por exemplo, eu travava e me enrolava na hora de apresentar um trabalho que eu tinha completo domínio. Só depois que comecei a fazer minhas primeiras entrevistas, que foram desastrosas por sinal, eu resolvi focar em desenvolver minha comunicação. Evoluí bastante, mas ainda é um problema, e é exatamente por isso que escolhi esse tema, porque sei que preciso melhorar.




