Usando a IA Generativa como auxiliar para decisões estratégicas
- #Inteligência Artificial (IA)
É inegável que a inteligência artificial, quando bem utilizada, aumenta drasticamente a produtividade e permite que diversas tarefas que antes consumiam horas do dia sejam totalmente automatizadas, além de ser uma ótima ferramenta para auxiliar e agilizar o aprendizado dos mais diversos temas. Alguns falam que é possível ser até 100x mais produtivo usando a inteligência artificial.
É possível, no entanto, ir mais longe: além de ganhar horas do seu dia de volta usando inteligência artificial e automação, também “economizar” meses ou anos de sua vida priorizando os maiores gargalos atuais da sua carreira (e vida em geral, por que não?), evitando tomar caminhos que não se alinham aos seus objetivos finais gerais, mas que parecem atraentes e, de maneira geral, fazer com que sua trajetória seja uma linha reta em direção aos seus objetivos finais, em vez de uma estrada cheia de curvas, desvios e retornos, como é a vida por padrão. Uma linha direta ao que você, em última instância, realmente quer alcançar com tudo o que você faz. Ou até mesmo conseguir identificar claramente quais são esses objetivos finais, caso isso ainda esteja nebuloso para você.
Como abordar o problema
Geralmente é ensinado como utilizar a inteligência artificial para resolver problemas pontuais e específicos – às vezes extremamente complexos, mas ainda assim com um escopo limitado. Por exemplo:
· Como automatizar uma tarefa determinada.
· Como aprender determinado assunto usando inteligência artificial como auxiliar.
· Como otimizar o aprendizado de modo geral usando inteligência artificial.
· Montar um plano para passar em uma matéria, em um curso ou em uma entrevista de emprego.
· Como fazer um programa, produto, conteúdo de mídia social.
· E muitos outros.
Ou seja, tudo mais no nível “tático” (ações de menor prazo para atingir um determinado objetivo) do que “estratégico” (quais objetivos devem ser atingidos – o “por que” e o “o que”.
Exemplos de decisões de nível mais “estratégico”
· Quais tarefas eu devo fazer dados os meus recursos limitados e meus objetivos finais? Mesmo que você consiga fazer 100x mais com a inteligência artificial, ainda é um número limitado e escolhas devem ser feitas.
· Quais assuntos aprender e priorizar dada minha situação atual, minhas reais metas finais e o que deixar para depois ou até completamente de lado?
· Qual tipo de conteúdo faria sentido eu produzir que se alinhe tanto com meus objetivos finais, minhas habilidades e meu momento de carreira?
· O que vale a pena ser produzido e o que não?
· Decisões de carreira em geral: qual área devo seguir (humanas, biológicas, exatas, um perfil mais de pesquisa ou voltado mais para o lado da pesquisa, e assim por diante).
· Qual área (por exemplo) da tecnologia da informação é mais interessante eu seguir dada a minha conjuntura pessoal, do mercado e do mundo em geral e considerando diferentes cenários futuros plausíveis?
· O que eu posso não estar percebendo, mas que está adiando chegar ao destino que eu quero, ou mesmo me movendo em direção oposta a ele? Quais são meus pontos cegos?
Situações clássicas que muitos já passaram e que talvez você se identifique, mas que poderiam ser evitadas com o uso correto da inteligência artificial:
· Passar anos evoluindo em uma carreira e depois ter que fazer transição.
· Ter uma empresa e não perceber quando o cenário muda e você tem que se adaptar ou até mesmo sair do ramo, mas ainda com um bom lucro e não com dívidas. Crises podem exigir que você seja mais conservador e exerça um controle de gastos maior para conseguir sobreviver. O mercado pode mudar e você pode ter que se adaptar rapidamente. Novas leis e regulamentações podem surgir que mudam totalmente as regras do jogo que você já conhecia.
· Passar anos estudando uma área, mas não saber identificar a ordem do que deve ser estudado, o que realmente se alinha aos seus interesses finais e ao seu estilo de aprendizado. Ou seja, investir muito tempo e obter pouco retorno, mesmo otimizando tudo o que você faz com inteligência artificial.
Mas como, afinal, fazer isso?
É necessário, antes de tudo, o ponto central que diferencia as interações com inteligência artificial das interações com humanos, e o desafio para fazer a inteligência trabalhar por nós tendo em vista um contexto de tempo mais longo. O problema central não é, como muitos dizem, as alucinações, afinal, mesmo textos acadêmicos e as maiores referências humanas em qualquer área falham, passam informações erradas em algum momento e, às vezes, até mentem e fraudam propositalmente (coisa que a inteligência artificial não faz). Sendo nós humanos e tendo memória falha e percepções enviesadas, tudo que é produzido por nós também é passível de “alucinação”, neste contexto.
O problema central e a grande diferença entre interações com humanos e entre a inteligência artificial são as inferências ocultas que são feitas pela inteligência artificial e que estão bem menos presentes em relações humanas. Por exemplo, se você mostrar um gráfico e perguntar para uma pessoa o que ele significa, a pessoa (fora de um contexto de prova ou entrevista de emprego) irá perguntar o que você quer saber e por que, de onde vieram os dados desse gráfico, e tantas outras coisas relevantes e que podem sequer ter passado na sua cabeça no início. Já uma inteligência artificial irá fazer uma série de inferências sobre o que você quer saber e irá dar uma resposta, sem mencionar coisas importantes como a importância de se analisar a qualidade das fontes de dados, por exemplo.
Todas essas inferências ocultas e coisas que são implicitamente assumidas vão se acumulando, gerando resultados catastróficos quando se trata de decisões estratégicas. Mas não precisa ser assim
Dependendo da informação a ser obtida e dos dados usados para gerar o gráfico, é possível que a resposta seja “o gráfico não quer dizer nada”, mas a inteligência artificial não vai dizer isso. Sabe, mas não vai dizer, a não ser se for corretamente provocada para gerar um fluxo de conversa parecido com o que ocorreria com uma pessoa, e não deixando que essas inferências ocultas e coisas assumidas simplesmente passem batidas e se acumulem.
Em todo trato com a inteligência artificial, é preciso enfatizar que é você quem deve estar no controle, ou seja, você não deve simplesmente pedir para a inteligência artificial o que fazer e seguir cegamente o que ela diz, do mesmo jeito que simplesmente dizer para a inteligência artificial criar um aplicativo não é uma boa prática, é necessário ir por etapas e guiar a criação do produto, corrigindo eventuais erros de direção e gerando testes. Neste caso, é necessário também usar a inteligência artificial para gerar pontos de reflexão para serem ponderados nas suas decisões, e não confiar tanto nas conclusões em si que forem geradas. Como se você fosse um rei se consultando com seus conselheiros.
O que eu já consegui usando a inteligência artificial como “conselheira”
· Identificar meu verdadeiro gargalo no momento, que não são os fundamentos e a programação em si, mas a aplicação desses conhecimentos para criação e “deploy” de um produto final. Isso certamente me salvou de perder tempo em caminhos que não eram para mim neste momento.
· Por exemplo, por influência de pessoas que eu respeito, eu comecei a estudar Go, porém, por melhor que seja a linguagem, ela não se alinha aos meus objetivos finais. Nenhum conhecimento é perdido, mas o tempo poderia ter sido mais bem utilizado em outras prioridades.
· Descobrir o meu jeito próprio de aprender e lidar com o aprendizado em geral. Muita coisa eu tinha dificuldade em aprender porque fazia com fontes que não eram para o meu estilo de aprendizado, para o meu nível e para o meu objetivo final de maneira geral.
· Consegui filtrar bastante a área exata que eu quero atuar, assim como montar um roteiro de aprendizado que também tivesse coisas em comum com outras áreas, mantendo minhas possibilidades ainda em aberto,
O meu caso
Todos temos nossos arrependimentos e coisas que gostaríamos de ter feito diferente, mas não havia ninguém tanto com capacidade tanto com neutralidade suficiente para analisar o nosso caminho. Ou o contrário: talvez alguém com grande retórica e autoridade, mas em um contexto diferente do seu, te inspirou a seguir um caminho que não era para você. Talvez você tenha dado atenção demais a críticas e opiniões de pessoas que, por qualquer razão, não tinham seu melhor interesse em mente, ou apenas eram despreparadas. Eu com certeza tenho.
Momentos que eu gostaria de ter tido a IA para me ajudar:
· Quando eu duvidei de mim mesmo por dificuldades de aprendizado e pelo que os outros diziam. Eu apenas não estava estudando do jeito certo para mim, com materiais adequados ao meu nível e as outras pessoas não tinham meu melhor interesse em mente.
· Quando eu estudei várias coisas que não precisava, mas são da área e pareciam interessante, porém com pouco retorno em relação ao que eu realmente quero.
Conclusão:
Enfim, com a devida técnica, é sim possível tomar decisões de cunho mais estratégico, só é preciso lembrar de não seguir a inteligência artificial cegamente, sempre contestar a IA e se contestar e prestar mais atenção no que for levantado do que nas conclusões que a IA der em si. Assim como com as pessoas, é necessário descartar o que não servir e saber filtrar o que realmente se aplica a você. E, lembre-se, a decisão final sempre é sua.
