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Zuleica Firmino
Zuleica Firmino13/10/2026 09:15
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Transição para tecnologia: como mentorias e redes de apoio ajudam a construir o caminho

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Transição para tecnologia: como mentorias e redes de apoio ajudam a construir o caminho

Como construir uma nova trajetória profissional quando já temos uma história em outra área? Essa pergunta tem acompanhado minha aproximação com tecnologia e dados. Venho da educação e da gestão educacional, espaços em que aprender, orientar pessoas e resolver problemas fazem parte do cotidiano. Ao ampliar minha formação, tenho buscado compreender como essa experiência pode contribuir para novas possibilidades de atuação.

Participar da turma 17 do DIO Campus Expert trouxe reflexões importantes para esse processo. As mentorias abordaram portfólio, comunicação, posicionamento profissional, entrevistas e aprendizagem contínua. Ao relacionar essas orientações à minha realidade, percebi que construir uma carreira envolve conectar conhecimentos, experiências, pessoas e oportunidades.

Neste artigo, compartilho o que venho aprendendo sobre essa construção e como mentorias, comunidades e redes profissionais podem ajudar quem está começando ou reorganizando sua trajetória.

A experiência anterior faz parte do novo caminho

Na transição de carreira, é comum olhar para o que ainda precisamos aprender. Essa identificação é necessária, mas também precisamos reconhecer o que já sabemos fazer.

Na educação e na gestão, trabalhamos com planejamento, comunicação, acompanhamento de resultados e articulação entre pessoas. Esses conhecimentos podem contribuir para outras funções, desde que consigamos explicar sua relação com as necessidades da nova área.

Uma experiência com indicadores escolares, por exemplo, pode envolver identificação de fontes, organização de informações, interpretação de resultados e comunicação com a equipe. Ao estudar dados, encontro oportunidades de aprofundar essas práticas, compreender seus limites e utilizar novos métodos.

Na mentoria com Carol, do canal Attekita Dev, essa reflexão apareceu em seu relato de passagem do design para a tecnologia. Ela explicou como conhecimentos da formação anterior continuaram contribuindo para sua atuação.

Para mim, o aprendizado é reconhecer essa continuidade: minha trajetória na educação pode orientar as perguntas que faço à tecnologia e os problemas que desejo ajudar a resolver. Ao mesmo tempo, preciso desenvolver as competências técnicas exigidas pelas novas responsabilidades.

Mentorias ajudam a transformar dúvidas em ações

Uma orientação se torna especialmente útil quando consigo relacioná-la a uma dificuldade concreta. Às vezes, preciso escolher uma prioridade de estudo. Em outros momentos, preciso apresentar melhor um projeto ou compreender como demonstrar minhas competências.

As mentorias podem ampliar referências, oferecer feedback e ajudar a formular perguntas melhores. A responsabilidade de avaliar as orientações e colocá-las em prática continua sendo minha.

A pesquisa de Eby e colaboradores (2008), que reuniu estudos sobre mentoria em diferentes contextos, encontrou associações com resultados favoráveis, incluindo aspectos motivacionais e de carreira. Os efeitos foram geralmente pequenos, o que reforça uma leitura equilibrada: a mentoria pode contribuir, mas não garante uma contratação ou uma trajetória específica.

Também considero importante reconhecer as diferenças entre uma palestra coletiva e uma mentoria individual. Uma palestra pode apresentar caminhos e experiências. Um acompanhamento individual permite discutir objetivos e dificuldades com maior atenção ao contexto da pessoa. Ambos podem contribuir, de maneiras diferentes.

Ao participar desses espaços, tenho procurado levar uma pergunta comigo: o que consigo fazer de forma mais consciente depois desta conversa?

Redes de apoio são espaços de troca e aprendizagem

Construir uma rede profissional envolve conhecer pessoas, mas também participar das conversas, compartilhar dúvidas e contribuir com aquilo que já aprendemos.

Comunidades de tecnologia, grupos de estudo e programas voltados a mulheres e profissionais em diferentes fases da vida podem ampliar nossas referências. Ouvir outras trajetórias ajuda a perceber possibilidades que, sozinha, talvez eu ainda não tivesse considerado.

Essa troca também permite reconhecer que as condições de aprendizagem e de acesso ao trabalho são diferentes. Disponibilidade de tempo, recursos financeiros, responsabilidades familiares e barreiras de acesso influenciam o percurso. Por isso, uma experiência individual não deve ser apresentada como uma receita universal.

Granovetter (1973), ao estudar redes sociais, discutiu como conexões entre diferentes grupos podem favorecer a circulação de informações e o contato com oportunidades. Essa perspectiva ajuda a compreender o valor de ampliar os relacionamentos para além dos círculos que já conhecemos.

Na minha trajetória, quero participar dessas redes também como alguém que contribui. A experiência em educação e gestão pode ser útil em conversas sobre aprendizagem, organização de projetos e comunicação com diferentes públicos.

LinkedIn: presença profissional com intenção

Na mentoria LinkedIn e Vagas de TI: Como Engajar, Conectar e ser Contratado?, Valéria Baptista destacou a importância de um perfil claro e de conexões alinhadas aos objetivos profissionais.

Entre as orientações apresentadas estavam descrever experiências, destacar projetos, identificar empresas de interesse e participar de conversas relevantes.

Isso me ajudou a pensar no LinkedIn como um espaço em que outras pessoas precisam compreender minha trajetória. Quem visita meu perfil deve conseguir identificar minha atuação, os conhecimentos que estou desenvolvendo e as contribuições que consigo demonstrar.

Para quem está em transição, essa comunicação exige cuidado. É importante explicar a conexão entre a experiência anterior e a direção pretendida, mantendo fidelidade ao próprio estágio de aprendizagem.

Também considero necessário participar de forma intencional: buscar profissionais da área, acompanhar discussões, fazer perguntas contextualizadas e compartilhar experiências. As recomendações da plataforma podem ajudar na descoberta de conteúdos, mas a escolha das referências precisa incluir nossa própria avaliação.

Um perfil bem apresentado pode facilitar o contato. A construção de confiança depende também da qualidade das interações e das evidências do trabalho realizado.

Compartilhar a jornada pode ajudar outras pessoas

Felipe Aguiar, na mentoria Passo a Passo para Gerar mais Autoridade para o seu Perfil, apresentou uma orientação que considero especialmente útil: podemos documentar a aprendizagem enquanto ela acontece.

Uma descoberta, uma dificuldade ou um erro pode se tornar conteúdo relevante quando conseguimos explicar o contexto e o que aprendemos. Para isso, precisamos deixar claro o alcance da experiência, sem apresentar um primeiro contato com uma ferramenta como domínio completo.

Felipe também destacou a importância de preservar a própria voz. Como educadora, reconheço o valor dos exemplos e das diferentes formas de explicar um assunto. Uma experiência próxima da realidade do leitor pode ajudá-lo a compreender algo que antes parecia distante.

Nesse processo, utilizo inteligência artificial como apoio para organizar ideias, resumir materiais e revisar a clareza da escrita. Minha participação continua necessária para conferir informações, escolher exemplos e garantir que o relato corresponda ao que vivi.

A autoridade que desejo construir está ligada à capacidade de compartilhar conhecimentos com responsabilidade. Alcance e curtidas podem indicar interação, mas não substituem evidências, fontes e abertura para aprender.

Demonstrar competências exige experiências concretas

Na mentoria com Luiz Gustavo Fonseca, a comunicação de experiências ganhou uma estrutura prática: a técnica STAR, organizada em Situação, Tarefa, Ação e Resultado.

Essa estrutura ajuda a responder perguntas importantes: qual era o problema, qual era minha responsabilidade, o que fiz e o que aconteceu depois?

Na atuação escolar, por exemplo, organizar equipamentos e corrigir acessos pode contribuir para o uso das tecnologias nas aulas. Para apresentar essa experiência profissionalmente, preciso documentar as ações e distinguir o que foi observado daquilo que ainda precisa ser medido.

Não basta atribuir automaticamente uma melhora de indicador à minha intervenção. É necessário considerar outras condições, como disponibilidade de internet, adesão às plataformas e participação da equipe.

Luiz Gustavo também ressaltou o valor de experiências acadêmicas, pessoais e de voluntariado para oportunidades de entrada. Isso reforça a importância de criar projetos e descrevê-los corretamente, identificando sua finalidade e minha contribuição.

Preparação e revisão fazem parte da continuidade

Jerry Strazzeri trouxe reflexões sobre preparação para entrevistas, simulações e definição de objetivos profissionais. Uma contribuição importante foi distinguir a necessidade de mudar a estratégia da decisão de abandonar um objetivo.

Uma tentativa que não funcionou pode indicar que preciso melhorar minha comunicação, praticar uma habilidade ou buscar uma oportunidade mais adequada. A análise depende do contexto, e uma negativa não explica, sozinha, toda a minha capacidade.

Também me chamou a atenção sua reflexão sobre sucesso profissional. Remuneração, crescimento, flexibilidade e tempo para outros compromissos podem ter pesos diferentes para cada pessoa.

Savickas e Porfeli (2012) apresentam quatro recursos de adaptabilidade de carreira: preocupação com o futuro, controle, curiosidade e confiança. Relaciono essa perspectiva à necessidade de planejar, assumir decisões, explorar possibilidades e desenvolver condições para enfrentar novos desafios.

Na prática, isso significa escolher próximos passos possíveis e revisá-los conforme aprendo.

Transformar aprendizagem em uma entrega

O primeiro desafio do Campus Expert foi uma oportunidade de organizar meu portfólio e apresentar projetos desenvolvidos na Imersão de IA da Alura: ARI News, ARI Deal e ARI Flow.

Reunir essas experiências me levou a pensar em como explicar o objetivo de cada projeto, as ferramentas utilizadas e os aprendizados da atividade. A melhoria do portfólio passou a ser também um exercício de comunicação sobre o que venho construindo.

Este artigo dá continuidade a esse movimento. Ao revisar as mentorias e relacioná-las à minha trajetória, procuro transformar orientações em reflexão e ação.

Para quem está iniciando ou reorganizando uma carreira, proponho um exercício: escolha uma dificuldade atual, procure uma referência confiável e defina uma pequena entrega. Pode ser documentar um projeto, praticar uma resposta de entrevista ou conversar com alguém sobre o cotidiano de uma função.

Depois, registre o que aprendeu e peça feedback. Esse próximo passo pode ajudar a tornar o caminho mais claro — e sua experiência também pode contribuir para a aprendizagem de outras pessoas.

Referências bibliográficas

EBY, Lillian T. et al. Does mentoring matter? A multidisciplinary meta-analysis comparing mentored and non-mentored individuals. Journal of Vocational Behavior, v. 72, n. 2, p. 254–267, 2008. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jvb.2007.04.005.

GRANOVETTER, Mark S. The strength of weak ties. American Journal of Sociology, v. 78, n. 6, p. 1360–1380, 1973. DOI: https://doi.org/10.1086/225469.

SAVICKAS, Mark L.; PORFELI, Erik J. Career Adapt-Abilities Scale: Construction, reliability, and measurement equivalence across 13 countries. Journal of Vocational Behavior, v. 80, n. 3, p. 661–673, 2012. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jvb.2012.01.011.

Mentorias que contribuíram para esta reflexão

Conteúdos disponibilizados no DIO Campus Expert e acompanhados durante minha participação na turma 17:

- Valéria Baptista — LinkedIn e Vagas de TI: Como Engajar, Conectar e ser Contratado?

- Felipe Aguiar — Passo a Passo para Gerar mais Autoridade para o seu Perfil.

- Carol, do canal Attekita Dev — contribuições sobre transição de carreira, projetos, comunicação e uso de IA.

- Luiz Gustavo Fonseca — contribuições sobre desenvolvimento profissional, competências e processos seletivos.

- Jerry Strazzeri — contribuições sobre carreira em tecnologia, preparação e oportunidades internacionais.

As contribuições das mentorias foram apresentadas por meio de paráfrases e relacionadas à minha experiência pessoal.

Esse artigo foi criado através do assistente Charles com finalização e curadoria de Zuleica Morais Firmino.

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Comentários (1)
Gabriela Miranda
Gabriela Miranda - 13/10/2026 09:36

Muito importante a rede de apoio e acrescentaria o soft skill de comunicação e colaboração.