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Rodrigo Settin
Rodrigo Settin10/05/2026 22:45
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Qualidade ou quantidade? Quando o conteúdo começa a virar ruído digital.

    Nunca foi tão fácil produzir conteúdo.

    E talvez por isso nunca tenha sido tão difícil gerar relevância.

    Vivemos uma era onde a inteligência artificial transformou a forma como aprendemos, criamos e compartilhamos informação.

    Hoje, qualquer pessoa consegue produzir imagens, textos, vídeos, artigos e publicações em poucos minutos.

    O que antes exigia tempo, estrutura, estudo ou habilidade técnica, agora pode ser criado em segundos.

    E isso é algo extraordinário.

    A tecnologia democratizou o acesso à criação.

    Mas junto com essa facilidade, surgiu uma pergunta importante:

    -Estamos construindo autoridade… ou apenas ocupando espaço digital?

    A era da abundância digital

    Nunca tivemos tanta informação disponível.

    Nunca existiram tantas pessoas compartilhando aprendizados, ideias, opiniões, cursos, reflexões e conquistas.

    Segundo estudos recentes, o uso de inteligência artificial na produção de conteúdo profissional cresceu drasticamente após a popularização do ChatGPT. Pesquisas sugerem um crescimento de aproximadamente 189% no uso de IA em conteúdos profissionais, além de estimativas indicando que mais de 50% dos conteúdos longos publicados no LinkedIn já apresentam sinais de assistência de IA. Isso mostra o quanto criar conteúdo se tornou acessível — mas também evidencia o aumento exponencial do volume de informação disponível.

    Fonte:

    Originality AI – estudo sobre IA no LinkedIn

    Mas talvez o problema nunca tenha sido a tecnologia.

    Talvez o ponto de reflexão esteja em outra pergunta

    O que realmente merece ser compartilhado?

    Quando tudo vira conteúdo

    Existe uma linha muito tênue entre compartilhar aprendizado e produzir ruído digital.

    Acredito genuinamente que compartilhar conhecimento, conquistas, aprendizados e até pequenos avanços é fundamental.

    Muitas vezes, isso inspira pessoas, gera identificação e até motiva alguém a continuar uma jornada que talvez estivesse prestes a abandonar.

    Inclusive, diversas publicações despertam admiração e incentivam uma construção coletiva baseada em esforço, dedicação e evolução.

    Ver alguém conquistando algo através do estudo, da disciplina ou da persistência pode ser extremamente positivo — principalmente para quem está começando.

    Talvez a ansiedade de crescer, manter presença digital ou demonstrar evolução, às vezes entramos em um movimento quase automático:

    tudo precisa virar conteúdo.

    E talvez a pergunta não seja:

    “devemos compartilhar?”

    Mas sim:

    “como estamos compartilhando?”

    Existe contexto?

    Existe aplicação prática?

    Existe reflexão?

    Existe algo que realmente possa gerar valor para quem consome?

    Porque, aos poucos, algo curioso começa a acontecer:

    quando o volume cresce demais, o impacto pode diminuir.

    E não por falta de potencial.

    Mas porque excesso também comunica.

    🌎 O fenômeno do ruído digital

    No mundo físico, quando existe excesso sem organização, surge poluição.

    No ambiente digital talvez não seja tão diferente.

    Quando tudo vira postagem, o que deveria gerar valor pode acabar criando saturação.

    E isso acontece de forma silenciosa.

    Não porque alguém seja ruim.

    Não porque falte capacidade.

    Mas porque nosso cérebro também sofre fadiga digital.

    Quanto mais repetição existe, menor tende a ser o impacto percebido.

    Talvez você já tenha vivido

    nem tudo precisava virar publicação.

    E aqui existe um ponto delicado:

    Muitas vezes estamos falando de profissionais extremamente capazes.

    Pessoas inteligentes.

    Dedicadas.

    Com enorme potencial.

    Mas que talvez estejam confundindo:

    movimento com progresso.

    produção com impacto.

    presença digital com construção de autoridade.

    💼 Presença digital não é a mesma coisa que autoridade

    Esse talvez seja um dos pontos mais importantes.

    Estar presente não significa necessariamente construir credibilidade.

    Postar muito não significa necessariamente gerar valor.

    E usar inteligência artificial também não é o problema.

    Na verdade, eu vejo a IA como uma ferramenta extraordinária.

    Ela acelera processos.

    Organiza ideias.

    Ajuda no aprendizado.

    Estimula criatividade.

    O problema talvez comece quando confundimos:

    volume com valor.

    Existe uma diferença enorme entre:

    estar produzindo conteúdo

    e

    estar construindo autoridade.

    Porque autoridade não nasce do excesso.

    Ela nasce da relevância.

    Ela nasce da consistência com propósito.

    Ela nasce da percepção de valor.

    📚 O que realmente faz alguém ser lembrado?

    Pense em algum profissional que você admira.

    Provavelmente ele não é lembrado porque postava dez vezes por dia.

    Mas talvez porque:

    • quando falava, agregava
    • quando ensinava, aprofundava
    • quando compartilhava algo, fazia sentido
    • quando aparecia, havia propósito

    Talvez o verdadeiro diferencial hoje não seja:

    quem produz mais

    Mas sim:

    quem consegue gerar significado.

    Porque relevância costuma durar mais do que frequência.

    O paradoxo da inteligência artificial

    Curiosamente, quanto mais fácil ficou produzir conteúdo…

    mais difícil ficou chamar atenção.

    Porque hoje não competimos apenas por informação.

    Competimos por:

    • atenção
    • confiança
    • credibilidade
    • relevância

    E isso muda completamente o jogo.

    Talvez o diferencial do futuro não seja:

    “quem posta mais”

    Mas sim:

    “quem sabe o que merece ser postado.”

    👤 Sobre mim

    Me chamo Rodrigo Settin, sou estudante de tecnologia, embaixador no Campus Expert 15 da DIO, empresário e técnico em eletrotécnica, com mais de 10 anos de atuação no setor de instalações e tecnologia.

    Sou proprietário da R.A. Instalações e Tecnologia e, há mais de 6 anos, atuo diretamente em projetos industriais para uma multinacional, participando da implementação de robôs e máquinas para a indústria de bebidas e alimentos, em ambientes de alta exigência.

    Essa trajetória me levou a passar mais de 4 anos viajando mensalmente para o México e me proporcionou experiências em países como Panamá, Honduras, Guatemala, República Dominicana e Colômbia, ampliando minha percepção sobre comportamento, comunicação e adaptação em diferentes contextos culturais e profissionais.

    Reflexão final

    Talvez o problema não seja a falta de conteúdo.

    Talvez seja a falta de critério sobre o que realmente merece ser compartilhado.

    Porque no fim das contas:

    nem todo conteúdo constrói autoridade.

    Às vezes…

    ele apenas aumenta o ruído.

    E agora eu quero te ouvir:

    Na sua visão, estamos vivendo uma era de aprendizado compartilhado…

    ou de excesso de informação?

    💭 Compartilhe sua percepção.

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    Comentários (3)
    Fernando Araujo
    Fernando Araujo - 12/05/2026 13:23

    Para complementar o meu comentário, eu pesquisei agora mesmo o texto completo de 5 artigos que me despertaram o interesse e os submeti a uma plataforma de checagem de conteúdos feitos por IA. Isso porque eu "senti" que os conteúdos não eram autorais, por várias pistas deixadas.

    Para minha surpresa nenhuma...

    TODOS eles tiveram uma taxa maior que 75% de conteúdo feito por uma IA (75%, 80%, 81%, 92% e 95%).

    A maioria não tinha referência a obras de outro autor, não falava que o conteúdo foi feito por uma IA (nem mesmo com revisão humana).

    Ou seja, um caso típico de publicações que não deveriam ter sido publicadas ou, pelo menos, não do jeito que foram!!

    Quantidade ao invés de qualidade!

    Fernando Araujo
    Fernando Araujo - 12/05/2026 09:26

    Perfeito!

    Lembra bem a "parábola das 3 peneiras de Sócrates", que também DEVERIA ser aplicada no caso de publicações digitais! Ela é uma lição clássica sobre a ética na comunicação, sugerindo que, antes de repassar qualquer informação (especialmente sobre terceiros), ela deve passar pelos filtros da Verdade, Bondade e Utilidade (ou Necessidade).

    Para quem não conhece esta parábola, segue um breve resumo dela:

    ----------------------------------------

    Certa vez, um homem procurou Sócrates e lhe disse que queria contar algo importante sobre um amigo do filósofo.

    Então, Sócrates perguntou se o homem já tinha passado a informação pelas três peneiras.

    - Que três peneiras? perguntou o homem.

    Sócrates respondeu:

    A Peneira da Verdade: Você tem certeza absoluta de que o que vai contar é um fato verídico?

    A Peneira da Bondade: O que você vai contar é algo bom? Ajuda a construir ou traz algo positivo?

    A Peneira da Utilidade: É necessário, útil ou resolve algum problema contar isso?

    Moral da história: Se a informação não é verdadeira, nem boa, nem útil, Sócrates aconselha: não conte, não espalhe e esqueça. A ideia é evitar boatos, fofocas e danos desnecessários à reputação alheia, promovendo um convívio mais harmonioso

    ----------------------------------------------

    Adaptando para o mundo digital, se o que vai se publicar não é verdadeiro, bom ou útil (necessário), melhor não publicar!

    Ainda acrescento uma peneira da autoria, pois se o conteúdo é ideia de outra pessoa, é importante referenciar o autor dela. Se foi gerado por uma IA, é bom revisar antes de publicar, acrescentando conteúdo próprio, e informando isso. E se saiu direto de uma IA, é melhor não publicar assim!

    GS

    Ghenisson Santos - 11/05/2026 11:09

    O mundo segue tendências, essas tendências mudam e o senhor foi cirúrgico no que tange a previsibilidade do futuro desse universo digital que faz parte da vida de tantas pessoas. É algo para pensar e se posicionar o quanto antes.