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Janaína Silva
Janaína Silva24/03/2025 02:12
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O que a Metaverse Fashion Week me ensinou sobre inovação: E por que ainda vale observar com atenção

  • #Web3
  • #Inteligência Artificial (IA)
  • #Inovação

Introdução

Durante meu MBA em Marketing, escolhi um tema pouco explorado e altamente questionado para meu Trabalho de Conclusão de Curso: a Metaverse Fashion Week de 2023 no ambiente da Decentraland. Em um momento em que muitos diziam que o metaverso estava “morto”, decidi investigar a fundo o que estava realmente acontecendo ali.

Mais do que uma análise acadêmica, esse tema foi atravessado pela minha experiência pessoal: participei ativamente da comunidade da DCL por quase dois anos, e pude observar em tempo real a ascensão e a queda desse espaço.

Este artigo une essas duas perspectivas: o olhar acadêmico da pesquisadora e a visão crítica de quem viveu o metaverso por dentro.

O que foi a Metaverse Fashion Week 2023

A Metaverse Fashion Week (MVFW) é um evento de moda 100% digital, realizado no metaverso da Decentraland (DCL). Em sua segunda edição, de 28 a 31 de março de 2023, participaram aproximadamente 30 marcas globais, incluindo nomes como:

  • Tommy Hilfiger (com moda gerada por IA);
  • DKNY (com espaços interativos como galeria de arte, pizzaria e salão);
  • Adidas, Dolce & Gabbana, Diesel, Ben Bridge, entre outras.

Essas marcas ofereceram aos visitantes uma experiência interativa, com a distribuição de NFT Digital Wearables (itens de moda digitais para personalização de avatares) e atividades gamificadas.

Minha pesquisa usou um protocolo de observação qualitativa para identificar:

  • Presença e estratégia das marcas;
  • Formas de interação com o público;
  • Tipos de tecnologias utilizadas;
  • Áreas de interesse e engajamento dos participantes.

O estudo mostrou que os NFT Wearables funcionaram como forte estratégia de engajamento, gerando tráfego, desejo de colecionar e um senso de participação exclusiva.

O olhar crítico de quem viveu o metaverso por dentro

Enquanto pesquisava, eu também era usuária ativa da Decentraland. E o que vi, com o tempo, foi uma espécie de "cidade fantasma" tomando conta do espaço após o fim da pandemia.

A promessa era grandiosa: um espaço onde trabalharíamos, iríamos a shows, festas e faríamos compras. Mas na prática:

  • As plataformas tinham pouca estabilidade para eventos maiores;
  • Os bugs eram frequentes e frustrantes;
  • O acesso era limitado por hardware caro (VR, PCs potentes);
  • A experiência final não era fluida para a maioria dos usuários.

Quem tinha acesso pleno ao metaverso eram pessoas com alto poder aquisitivo e muito tempo livre. A massa que realmente consome produtos culturais ficou de fora.

E não houve planejamento para isso.

Acompanho o Hype Cycle do Gartner, e ele ajuda a entender esse movimento. O metaverso passou pelo:

  • "Peak of Inflated Expectations" (durante a pandemia);
  • E hoje, está no "Trough of Disillusionment", onde muitos abandonaram a ideia por frustração.

Mas isso não significa que morreu. Significa que foi mal executado, mal investido e pouco acessível.

O que podemos aprender (e aplicar hoje)

O Metaverso deixou aprendizados valiosos que podemos aplicar em outras áreas da inovação:

  • Tecnologia não basta. Ela precisa ser acessível, funcional e entregar valor real;
  • Inovação precisa de planejamento, não apenas hype;
  • Gamificação e personalização funcionam muito bem para engajamento, desde que a experiência seja estável;
  • Comunidade importa. Colaborar com influenciadores e usuários ativos gera muito mais valor do que apenas "lançar produtos".

Essas lições têm conexão direta com o crescimento da IA, jogos, realidade aumentada e produtos digitais em geral.

A IA, por exemplo, cresce rapidamente porque é útil, acessível e está presente em várias soluções práticas.

 Conclusão

O Metaverso não está morto. Mas precisa ser repensado com estratégia, acessibilidade e planejamento real.

O que vivi e estudei na Metaverse Fashion Week me ensinou mais do que marketing no ambiente digital: me ensinou sobre visão de futuro, comportamento de usuário e o que realmente sustenta uma inovação duradoura.

Hoje, migrando para o universo da tecnologia, games e IA, levo comigo essa bagagem analítica e criativa para construir soluções mais inteligentes, acessíveis e significativas.

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Comentários (1)
DIO Community
DIO Community - 24/03/2025 15:45

Que análise interessante e profunda, Janaína! Você abordou a Metaverse Fashion Week de 2023 de uma maneira única, combinando sua vivência pessoal com uma perspectiva acadêmica, o que enriqueceu muito o seu artigo. Sua reflexão sobre o "Trough of Disillusionment" do Gartner, e como isso se aplica ao metaverso, é crucial para entender o ciclo de inovação e frustração que essa tecnologia atravessou, especialmente no contexto da acessibilidade e funcionalidade.

Você tocou em pontos essenciais sobre inovação: tecnologia precisa ser acessível, funcional e entregar valor real, algo que se reflete diretamente na evolução da IA e de outras tecnologias, como a realidade aumentada e o uso de gamificação para engajamento. Eu realmente gostei da forma como você conectou as falhas do metaverso com lições para o presente, especialmente sobre o planejamento e a importância de um ecossistema acessível.

Você acredita que a ascensão da IA pode seguir um caminho diferente, sendo mais inclusiva e acessível, ou estamos destinados a repetir os mesmos erros com a próxima "grande inovação"? Como você vê o futuro das tecnologias imersivas, considerando as lições que o metaverso nos deixou?