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Igor Barbosa
Igor Barbosa13/07/2026 21:02
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O Android está deixando de ser uma plataforma aberta?

    Bom pessoal, sou um estudante de tecnologia e passo longe de ser um especialista no assunto, mas recentemente comecei a desenvolver aplicativos para Android com a finalidade de criar projetos pessoais e acadêmicos. Nessa jornada, me deparei com a notícia de que o Google vai bloquear a execução (e instalação?) de aplicativos que não possuam a assinatura de um desenvolvedor verificado a partir de setembro de 2026.

    Isso vai acontecer mesmo? O Android vai deixar de ser a grande plataforma livre que possuía esse diferencial sobre a Apple? Seria isso um equivalente a uma ART (anotação de responsabilidade técnica) das engenharias?

    Não possuo muita experiencia, mas andei pesquisando em sites oficiais e, principalmente, na iniciativa do Keep Android Open.

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    Entendi que ser um desenvolvedor Android agora ficará barrado por uma paywall e um bocado de burocracia. São cerca de 25 dólares (que podem passar de 130 reais, dependendo da cotação e impostos), a necessidade de um cartão de crédito e muita documentação para o cadastro.

    Como é feito hoje? Na grande maioria das vezes, o desenvolvedor que quer ter visibilidade precisa seguir alguns passos para publicar seu aplicativo na Play Store. No entanto, o Android permite a instalação de aplicativos de fontes externas, apresentando apenas um aviso para o usuário e solicitando a autorização para realizar a instalação de fontes alternativas. Durante a instalação, nos modelos Android mais recentes, o Google Play Protect é ativado para realizar o bloqueio de malwares ou apps mal-intencionados.

    E está tudo bem, é totalmente possível construir um fluxo de desenvolvimento sem a Play Store, principalmente para projetos independentes. Você, por exemplo, realiza um build com o Gradle, sobe nos releases do GitHub e, através da API do GitHub, envia os novos builds como atualizações que o usuário poderá baixar se quiser.

    No entanto, com as novas diretivas do Google, o Android irá solicitar a assinatura de um desenvolvedor cadastrado para que o usuário possa utilizar o app. O Google confirmou que o usuário ainda poderá instalar o app sem esse registro, mas terá que seguir procedimentos bem mais complexos do que um simples aceite, como: ativar as opções de desenvolvedor, digitar seu PIN, reiniciar o dispositivo e aguardar 24 horas para a confirmação do Google... Isso simplesmente vai dificultar bastante a instalação de apps sem essa assinatura.

    Quanto às assinaturas, o Google informou que vai disponibilizar uma assinatura de distribuição limitada, gratuita para hobbistas e estudantes. Ela permitirá registrar apps e compartilhá-los com até 20 dispositivos que os usuários tenham autorizado explicitamente. O problema é que, provavelmente, ainda haverá burocracia para adquirir essa assinatura, sem falar na quantidade limitada de dispositivos.

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    Entendo que o objetivo do Google é, oficialmente, identificar desenvolvedores mal-intencionados e proteger o usuário final. Mas isso gera uma barreira para novos devs ou mesmo devs independentes que não querem fazer parte do cadastro do Google.

    Isso cria uma situação chata. Vi uma analogia esses dias e vou repetir ela aqui: imagine que você tem uma torradeira muito bonita, feita para tostar pão. No entanto, essa torradeira só poderá tostar os pães das marcas autorizadas pelo fabricante. Caso contrário, você não poderá usar sua torradeira.

    Outra questão seria: toda vez que você for utilizar a sua torradeira, precisará realizar uma ligação para o fabricante para verificar se aquele pão pode ser utilizado nela. Mas e se não houver rede? A torradeira ainda vai funcionar? Como ela valida isso? A lista de pães autorizados já vem de fábrica na torradeira? Então, o que impede as marcas dos pães de adulterarem essa validação se estiverem offline?

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    Sinto que essa limitação vai ser mais uma barreira para quem está ingressando na área, pois um programador experiente mal-intencionado provavelmente vai descobrir uma forma de burlar o sistema.

    E sim, eu vejo situações legítimas onde o desenvolvedor não deveria ter a necessidade de se cadastrar em sistemas complexos do Google para poder desenvolver seu app. Como, por exemplo, seu primeiro app de "Hello World" ou seu app de finanças pessoais. O dev quer compartilhar com sua família e amigos, mas, veja só, no grupo do WhatsApp ou Telegram tem mais de 20 pessoas. Ou mesmo uma empresa pequena: se ela tiver mais de 20 funcionários, será forçada a ter um dev cadastrado no Google caso queira ter seu app próprio (interno).

    Para o usuário final não vai ter tanta diferença, pois ele tentará instalar o aplicativo, será rejeitado e então simplesmente buscará alguma alternativa na Play Store que, se for gratuita, provavelmente virá cheia de anúncios abusivos pulando na tela a todo momento. Se for paga, o Google leva uma porcentagem como comissão da venda.

    Agora, para os devs, isso pode alterar todo o fluxo de desenvolvimento e se tornar uma barreira para iniciantes. Fontes de apps como F-Droid e repositórios no GitHub podem simplesmente deixar de existir.

    O mais doido é que não vejo tanta gente falando sobre o assunto, o que me leva a pensar que não está sendo relevante para a comunidade no geral. Eu mesmo só fui ficar sabendo agora.

    E então é isso. Vim trazer a (velha) notícia e gostaria de saber o que acham sobre o tema e quais são as perspectivas para essa área agora, com essas limitações.

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