Minha Migração Profissional Para A Tecnologiao artigo
Nunca é tarde para a tecnologia: minha transição para dados e programação chegando aos 40
Introdução
Chegar aos 40 anos e decidir migrar para a área de tecnologia não é uma escolha simples. Em um mercado historicamente associado à juventude, assumir novamente o papel de aprendiz exige coragem, disciplina, humildade intelectual e, acima de tudo, propósito. No entanto, diante das transformações aceleradas provocadas pela revolução digital, essa decisão deixa de ser apenas um desejo pessoal e passa a ser uma necessidade estratégica de sobrevivência e crescimento profissional.
Este artigo tem como objetivo relatar minha experiência pessoal de transição profissional para a área de Tecnologia da Informação, com foco em dados e programação. O texto combina relato de experiência, reflexão crítica e aprendizados práticos, que incentiva o aprendizado contínuo, o protagonismo do profissional e a construção de carreiras sustentáveis em tecnologia.
Minha trajetória profissional antes da tecnologia
Minha trajetória profissional foi construída, ao longo de muitos anos, em áreas como segurança privada, prevenção de perdas, atendimento ao público e funções de gestão. Esses ambientes exigem alto nível de responsabilidade, disciplina operacional, tomada de decisão sob pressão, cumprimento de normas e forte interação humana.
Mesmo não estando diretamente ligado à tecnologia, esse percurso contribuiu de forma significativa para o desenvolvimento de competências transferíveis, como visão sistêmica, pensamento orientado a processos, senso crítico, ética profissional e capacidade de lidar com problemas reais do cotidiano organizacional. Com o avanço da digitalização nas empresas, tornou-se evidente que a tecnologia passou a ocupar um papel central, conectando áreas, otimizando processos e apoiando decisões estratégicas. Foi a partir dessa percepção que comecei a considerar, de forma estruturada, a migração para a área de TI.
O despertar para a tecnologia e a decisão de mudar
A decisão de migrar para a tecnologia não aconteceu de forma imediata. Ela foi construída a partir da observação do mercado, da análise de tendências e do reconhecimento de que dados e sistemas passaram a ser ativos estratégicos para organizações de todos os segmentos.
Percebi que compreender dados, automatizar processos e desenvolver soluções tecnológicas deixou de ser um diferencial e passou a ser uma competência essencial. Esse despertar foi acompanhado de um questionamento pessoal importante: permanecer em uma zona de conforto ou enfrentar o desafio de recomeçar em uma nova área, mais dinâmica e alinhada ao futuro do trabalho. A resposta veio com a decisão consciente de investir em formação e reconstruir minha identidade profissional.
A transição na vida adulta e o impacto do etarismo
Migrar para a tecnologia aos 40 anos implica enfrentar desafios específicos. Um dos mais relevantes é o etarismo, entendido como o preconceito ou a discriminação baseada na idade. Ainda persiste a ideia equivocada de que a tecnologia é um campo exclusivo para profissionais jovens, o que pode gerar insegurança, autossabotagem e barreiras implícitas nos processos seletivos.
Além do etarismo, há desafios práticos significativos, como conciliar estudos intensivos com trabalho, família e responsabilidades financeiras. No entanto, a maturidade profissional também oferece vantagens competitivas importantes, como maior comprometimento, disciplina, estabilidade emocional, responsabilidade e visão estratégica. Compreender esse equilíbrio foi fundamental para manter a consistência nos estudos e não abandonar o processo diante das dificuldades iniciais.
A construção do conhecimento técnico
Para viabilizar essa mudança de carreira, iniciei um processo estruturado de formação acadêmica e capacitação prática. Ingressei em cursos técnicos e superiores na área de sistemas e desenvolvimento, além de buscar especializações voltadas à gestão, banco de dados e análise de informações.
Paralelamente, investi em cursos, bootcamps e certificações voltados para análise de dados, SQL, Power BI, Excel Avançado, Python, desenvolvimento front-end e metodologias ágeis, com destaque para o framework Scrum. Essa combinação entre teoria e prática mostrou-se essencial para consolidar o raciocínio lógico, a capacidade analítica e a compreensão de problemas complexos.
A curva de aprendizado foi desafiadora. A lógica de programação, a abstração e o pensamento algorítmico exigiram persistência, disciplina e constância. Cada consulta SQL bem estruturada, cada script funcional e cada dashboard concluído representaram avanços concretos e reforçaram minha confiança no processo de transição.
Dados e programação como projeto de carreira
Meu objetivo profissional é atuar como analista de dados e programador, utilizando dados como base para a tomada de decisões e para o desenvolvimento de soluções tecnológicas eficientes. A análise de dados possibilita transformar grandes volumes de informações em insights relevantes, apoiando estratégias baseadas em evidências.
A programação, por sua vez, permite materializar essas análises em sistemas, aplicações, automações e soluções escaláveis. A convergência entre dados e programação amplia significativamente a capacidade de resolver problemas reais do negócio, conectando tecnologia, estratégia e resultados.
O papel das plataformas de aprendizado contínuo
Nesse processo de transição, plataformas de educação tecnológica como a DIO desempenham um papel fundamental. Elas democratizam o acesso ao conhecimento, oferecem trilhas práticas, projetos reais e contato com comunidades que vivem desafios semelhantes.
Mais do que ensinar ferramentas, essas plataformas incentivam uma mentalidade de crescimento, colaboração e protagonismo profissional, aspectos essenciais para quem está migrando de carreira e precisa construir credibilidade técnica gradualmente.
Considerações finais
Minha transição para a tecnologia aos 40 anos representa um processo de reinvenção profissional sustentado pela aprendizagem contínua, pela resiliência e por uma visão clara de futuro. Essa experiência demonstra que a tecnologia não tem idade, mas exige comprometimento, curiosidade intelectual, disciplina e disposição para evoluir constantemente.
Acredito que a combinação entre experiência de vida, competências comportamentais e habilidades técnicas em dados e programação constitui um diferencial competitivo relevante no mercado de trabalho contemporâneo. Recomeçar não é retroceder; é reposicionar-se estrategicamente diante de um mundo em constante transformação.


