Extensão Obrigatória no Ensino Superior e a Evasão do Dev Trabalhador
Por Maximiliano
Se você estuda tecnologia, sabe que a jornada para entrar e se manter no mercado é um jogo no modo Hard. Não basta assistir às aulas: o ecossistema de TI exige portfólios no GitHub, dedicação a projetos de código aberto, cursos complementares e, para a grande maioria, uma jornada de trabalho CLT de 40 a 44 horas semanais para pagar as contas. Conciliar essa rotina já é um desafio extremo. O problema é que um "bug" regulatório recente transformou o sonho do diploma em um cenário crônico de exaustão e evasão escolar.
Esse gargalo atende pelo nome de curricularização da extensão (instituída pela Resolução CNE/CES nº 7 de 2018). A regra obriga que, no mínimo, 10% da carga horária de qualquer graduação seja gasta em projetos diretos com a comunidade externa. Na prática, isso significa que os cursos superiores exigem, no mínimo, 200 horas de atividades de extensão obrigatórias em cursos que duram em média 2,5 anos para que o aluno consiga se formar. Na teoria, conectar a tecnologia com a sociedade civil é uma excelente proposta. Mas na vida real do estudante trabalhador, a falta de flexibilidade para cumprir essa imensa quantidade de horas transformou a extensão em um severo empecilho logístico, forçando milhares de talentos a optarem pela desistência do ensino superior.
Para o estudante que cumpre uma jornada de trabalho profissional que varia entre 40 e 44 horas semanais, o tempo não é uma variável abstrata; é um recurso escasso de sobrevivência. Ao exigir que este aluno participe ativamente de programas, projetos e intervenções presencialmente em comunidades externas — ações que frequentemente demandam deslocamentos, agendas em horário comercial e articulações fora do período de aulas —, a normativa transforma o que deveria ser um direito integrador em uma barreira excludente.
O resultado dessa conta que não fecha já se reflete nos índices nacionais de desistência e abandono acadêmico. Dados coletados pelo Inep mostram que a evasão escolar consolidou-se como um dos principais desafios estruturais do ensino superior brasileiro. A dupla jornada desmedida gera um cenário crônico de exaustão física, frustração e sofrimento mental, empurrando o estudante trabalhador para fora da universidade. No ecossistema de tecnologia, onde a formação técnica sólida e o diploma ainda abrem portas cruciais, essa barreira pune quem tenta se qualificar.
Diante deste cenário, o recém-lançado Abaixo-Assinado em Defesa do Estudante Trabalhador busca ecoar essa demanda diretamente ao gabinete do atual Presidente da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação (CNE), Prof. Dr. Otavio Luiz Rodrigues Jr.
A mobilização não advoga pelo fim da extensão universitária, cuja importância social é incontestável. O pleito é por flexibilidade regulatória de permanência. O CNE precisa abrir espaço para alternativas reais que abracem a realidade do trabalhador, tais como:
- A validação de atividades profissionais correlatas à área de formação (como o próprio trabalho de desenvolvedor, suporte ou infraestrutura) como créditos válidos de extensão universitária;
- O fomento a formatos híbridos e digitais, permitindo projetos síncronos e assíncronos que utilizem a própria tecnologia para impactar comunidades sem exigir o deslocamento físico obrigatório;
- A garantia de ofertas em horários alternativos, descentralizando as ações para os sábados e períodos estritamente noturnos.
Garantir o acesso à matrícula sem viabilizar as condições estruturais de permanência é uma forma sutil de exclusão. Se o Brasil almeja um ecossistema tecnológico competitivo e um ensino superior verdadeiramente democrático, a burocracia das diretrizes curriculares deve servir ao desenvolvimento do estudante — e jamais penalizar o suor de quem precisa trabalhar para transformar a própria realidade.
✊ Como ajudar a mudar esse cenário?
Se você também vive essa realidade de estudar tecnologia, trabalhar na área e ainda precisar encaixar horas exaustivas de extensão em horários comerciais, faça parte da nossa mobilização.
Assine o abaixo-assinado e compartilhe com os seus colegas de faculdade e de trabalho:
🔗 Clique para assinar o Abaixo-Assinado no https://www.change.org/p/exigir-a-flexibiliza%C3%A7%C3%A3o-das-atividades-de-extens%C3%A3o-obrigat%C3%B3ria




