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Wellington Costa
Wellington Costa28/04/2026 16:51
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Eu usei π pra gerar texto e acabei criando uma Biblioteca de Babel que funciona

    Antes de entrar no projeto, um contexto rápido.

    Eu me cadastrei na DIO já tem um tempo. Já tentei seguir bootcamp, trilha, cronograma bonitinho… mas meu cérebro basicamente olha pra isso e fala: “legal 👍, não vou fazer”. Ano passado descobri que tenho autismo, e junto com o TDAH isso explica bastante coisa. Formato linear, aula atrás de aula, progresso previsível… simplesmente não encaixa muito bem.

    Então em vez de forçar um modelo que não funciona pra mim, eu acabei indo por outro caminho: aprender construindo coisas estranhas. Tipo… bem estranhas mesmo.

    Esse projeto saiu exatamente daí. Não foi “vou aplicar o que aprendi no módulo X”. Foi mais: “e se eu fizer uma coisa meio absurda só pra ver até onde dá?”

    E bom… deu nisso aqui 👇

    A ideia do projeto é simples de explicar e meio absurda de aceitar: eu uso os dígitos de π como matéria-prima para gerar texto. Não é banco de dados, não é arquivo salvo, não é “carregar um texto pronto”. É cálculo puro.

    Dado uma seed, uma frequência, um nível de caos e uma ordem, o sistema gera sempre o mesmo texto. Sempre. Mesma entrada, mesma saída, sem choro.

    Na prática, isso transforma o gerador numa espécie de Biblioteca de Babel computacional, só que menos inútil que a do Borges 😅 Porque na Babel original quase tudo é lixo ilegível.

    Aqui não. Aqui eu enfio regras fonéticas, padrões silábicos, ritmo de palavras, pontuação, capitalização e outros truques linguísticos pra saída parecer uma língua estranha, mas legível e falável.

    Então em vez de sair algo tipo X7aQ9kLm0Pz..., sai algo tipo Acibaqi nafa pobovo ay qoforozo...

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    Significa alguma coisa? Não. Mas dá pra ler em voz alta sem deslocar a mandíbula, o que já é uma vitória científica enorme.

    O parâmetro de caos controla o quanto o texto obedece regras: caos baixo gera texto bonitinho, quase parece idioma; caos alto faz o sistema desistir da civilização e voltar pro ruído.

    A ordem é a parte mais divertida. Ela pega os caracteres disponíveis e reorganiza segundo regras compactas, como estrutura de palavras, seleção fonética e filtros. Ou seja: o texto não é só gerado, ele pode ser remontado.

    A busca por caracteres funciona como um caçador de endereços. Você diz “quero algo parecido com ‘ola mundo’” e o sistema tenta achar seeds, frequências e ordens que produzam isso — ou algo assustadoramente perto.

    No fundo, a proposta toda é essa: trocar armazenamento por endereçamento. O texto não precisa estar guardado em lugar nenhum. Ele só precisa ter um caminho matemático até ele.

    É meio Borges, meio fonologia, meio teoria da informação, e meio “o que acontece se eu der café demais pra um hash determinístico”.

    No pior dos casos, eu construí um gerador de línguas alienígenas. No melhor, eu achei um jeito elegante de navegar no caos.

    https://github.com/wellrccity/Resonance_M/tree/main

    Fiquem à vontade para contribuir no GitHub. E se gostarem desse, eu publico um projeto ainda mais estranho 😄

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