Do Fluxo de Informações aos Agentes de IA: três projetos, três aplicações reais
- #AI Agents
- #Automação
- #Data
- #Python
- #Inteligência Artificial (IA)
Como ARI NEWS V2, DealCraft AI e ARI FLOW transformam informação, processos e decisões em soluções práticas com Inteligência Artificial
A melhor forma de aprender Inteligência Artificial, na minha visão, é construir.
Nos últimos projetos que desenvolvi, procurei sair do conceito abstrato de “usar IA” e trabalhar com problemas concretos, fluxos reais e decisões que precisam ser estruturadas.
O resultado foi uma sequência de três projetos com objetivos diferentes, mas conectados pela mesma lógica: usar Inteligência Artificial para transformar informação em ação, sem abrir mão de rastreabilidade, regras e supervisão humana.
São eles:
- ARI NEWS V2 — inteligência estratégica de notícias;
- DealCraft AI — estruturação e validação de oportunidades comerciais;
- ARI FLOW — automação inteligente de e-mails.
Cada um explora um estágio diferente dessa jornada.
1. ARI NEWS V2 — da informação dispersa à inteligência estratégica
O primeiro desafio foi lidar com um problema comum em estratégia, marketing, vendas e gestão: o excesso de informação disponível e a dificuldade de transformar notícias em contexto útil para decisão.
O ARI NEWS V2 foi desenvolvido como um agente de Inteligência Estratégica de Notícias.
A partir de três parâmetros — setor, região e data de referência — o sistema pesquisa notícias na web, seleciona conteúdos relevantes, contextualiza os acontecimentos, estrutura os dados e gera uma página executiva com acesso às fontes originais.
A arquitetura funciona conceitualmente assim:
Entrada → Retrieval → Curadoria → Estruturação → Apresentação
O projeto utiliza uma arquitetura multiagente composta por módulos especializados para:
- busca de notícias;
- curadoria estratégica;
- estruturação dos dados;
- geração de imagem;
- geração da página final.
Um dos pontos mais importantes do desenvolvimento foi a rastreabilidade das fontes.
A regra adotada foi simples: a URL apresentada ao usuário deve ser preservada exatamente a partir do resultado recuperado pela pesquisa web. O sistema não deve reconstruir, completar ou inferir links.
Esse cuidado transforma o projeto de um simples gerador de resumos em uma solução com grounding, retrieval e rastreabilidade.
Projeto no GitHub:
https://github.com/MCLG1661/ARI-NEWS-V2
2. DealCraft AI — da oportunidade comercial à proposta estruturada
O segundo projeto parte de outro problema bastante recorrente: propostas comerciais criadas antes que a oportunidade esteja suficientemente compreendida.
Em processos B2B, informações importantes muitas vezes ficam distribuídas entre reuniões, anotações, e-mails e briefings.
Isso pode gerar:
- ausência de dados críticos;
- propostas baseadas em suposições;
- preços incompatíveis;
- prazos incorretos;
- falta de clareza sobre decisores;
- pouca padronização entre oportunidades.
O DealCraft AI foi criado para organizar esse processo.
Seu fluxo principal é:
Briefing → Estruturação da Oportunidade → Validação → Aprovação Humana → Proposta
A solução possui um Opportunity Model, que organiza os dados da oportunidade em grupos estruturados.
Depois disso, entra o Opportunity Readiness, um diagnóstico determinístico de completude.
O objetivo não é prever se uma venda será fechada.
A pergunta é outra:
Temos informações suficientes para estruturar esta oportunidade de maneira responsável?
O sistema também executa uma Gap Analysis, identifica campos obrigatórios ausentes e interrompe o fluxo quando faltam informações essenciais.
Outro componente importante é o Commercial Rules Engine, responsável por validar regras como:
- faixa de investimento;
- prazo do serviço;
- descontos permitidos;
- validade da proposta;
- condições de pagamento;
- exigência de revisão humana em determinados cenários.
Mesmo após as validações automáticas, a proposta não é gerada imediatamente.
O DealCraft AI apresenta um resumo executivo e exige aprovação explícita do usuário antes de criar o documento final.
Esse é um exemplo claro de Human-in-the-Loop aplicado a processo comercial.
Projeto no GitHub:
https://github.com/MCLG1661/DealCraft-AI
3. ARI FLOW — da triagem manual à automação inteligente de e-mails
O terceiro projeto leva a lógica de agentes para um processo operacional recorrente: leitura, classificação e resposta de e-mails.
O ARI FLOW foi desenvolvido para automatizar o tratamento de mensagens relacionadas a Oracle Cloud Applications.
O fluxo combina:
Gmail → Google Gemini → Router → Google Drive → Gemini → Gmail
Primeiro, o sistema recebe o e-mail e utiliza IA para classificar a mensagem.
Depois, o Router determina se o conteúdo pertence ou não ao domínio definido.
Quando a mensagem está dentro do escopo:
- a base de conhecimento é consultada;
- o contexto é enviado ao modelo;
- uma resposta é gerada;
- o e-mail é enviado ao remetente;
- a mensagem é organizada automaticamente.
Quando a mensagem está fora do escopo, a automação não responde.
Ela direciona o caso para tratamento humano.
Esse desenho aplica três princípios importantes:
- classificação antes da geração;
- Knowledge Grounding com base documental;
- Human-in-the-Loop para situações fora do domínio.
Durante os testes, o projeto também revelou uma questão operacional relevante: limites de uso da API.
Foi observado erro HTTP 429 relacionado à quota do Google Gemini.
Esse tipo de situação reforça que construir soluções com IA não é apenas escrever prompts. É preciso considerar limites de API, dependências externas, observabilidade, tratamento de erros e escalabilidade.
Projeto no GitHub:
https://github.com/MCLG1661/ARI-Flow
Três projetos, uma mesma lógica
Embora os três agentes resolvam problemas diferentes, eles compartilham alguns princípios arquiteturais.
O ARI NEWS V2 trabalha com recuperação, curadoria e rastreabilidade.
O DealCraft AI trabalha com estruturação, validação de regras e aprovação humana.
O ARI FLOW trabalha com classificação, roteamento, grounding e automação operacional.
Em comum, todos procuram evitar um erro frequente em projetos de IA: colocar o modelo no centro de tudo.
Nos três casos, a IA é apenas uma parte da solução.
Ao redor dela existem:
- regras;
- contexto;
- estrutura de dados;
- validações;
- roteamento;
- integrações;
- documentação;
- supervisão humana.
É essa combinação que transforma um experimento em uma solução mais próxima de um sistema real.
O principal aprendizado
Quanto mais avanço no desenvolvimento desses projetos, mais evidente fica uma mudança de perspectiva.
A pergunta deixa de ser:
“Qual modelo de IA eu posso usar?”
E passa a ser:
“Qual problema eu quero resolver, quais decisões precisam ser controladas e em que ponto a IA realmente agrega valor?”
Esse raciocínio muda completamente o desenho da solução.
Em alguns casos, a IA deve buscar.
Em outros, classificar.
Em outros, resumir.
Em outros, estruturar.
Em outros, sugerir.
E, em muitos casos, ela deve saber quando parar e devolver a decisão para uma pessoa.
Conclusão
ARI NEWS V2, DealCraft AI e ARI FLOW representam três aplicações diferentes de um mesmo princípio:
usar Inteligência Artificial para aumentar eficiência e qualidade de processos, sem abrir mão de controle, rastreabilidade e julgamento humano.
Mais do que três projetos isolados, eles mostram uma evolução na forma de pensar soluções com IA.
Da informação à inteligência.
Da oportunidade à decisão.
Da mensagem à automação.
E sempre com a mesma preocupação: transformar tecnologia em aplicação prática.




