Desafiando o Etarismo: Como a Colaboração Entre Gerações Pode Transformar o Mercado de Trabalho
O mercado de trabalho atual vive um momento histórico inédito: pela primeira vez, quatro gerações diferentes — Baby Boomers, Geração X, Millennials (Geração Y) e Geração Z — estão dividindo o mesmo ambiente corporativo. No entanto, juntamente com a transição demográfica e o envelhecimento acelerado da população brasileira, surge um grande desafio: o etarismo (ou idadismo), o preconceito baseado na idade.
Compreender o etarismo e incentivar a colaboração intergeracional não é apenas uma pauta de diversidade e inclusão, mas um motor essencial para a inovação, produtividade e saúde cultural das empresas de tecnologia e de mercado.
O que é o Etarismo e como ele se manifesta?
Segundo Andrea Tenuta, especialista em Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) na Maturi, o etarismo se sustenta em três pilares:
- Estereótipo: o modo como pensamos sobre a idade.
- Preconceito: o modo como nos sentimos sobre o envelhecimento.
- Discriminação: o modo como agimos nas contratações e no dia a dia corporativo.
Nas empresas, essa discriminação muitas vezes ocorre por vieses inconscientes. Exemplos comuns incluem a preferência exclusiva por jovens em processos seletivos, o abandono do desenvolvimento profissional de trabalhadores maduros e a desvalorização do conhecimento acumulado por profissionais 50+.
No Brasil, onde 27% da população já tem mais de 50 anos, a presença média desse grupo nas empresas varia entre apenas 3% e 5% do quadro de colaboradores — revelando um grande descompasso com a realidade demográfica.
O preconceito que afeta as duas pontas: 50+ e Geração Z
Embora seja mais associado a pessoas idosas, o etarismo também afeta os mais novos. O professor Otávio Nóbrega, da Universidade de Brasília (UnB), destaca que profissionais da Geração Z enfrentam estereótipos constantes ao ingressar no mercado, sendo muitas vezes rotulados como "menos comprometidos" ou com dificuldades de adaptação corporativa.
No entanto, a chave para superar esses rótulos está na solidariedade intergeracional:
- Os profissionais 50+ e Geração X trazem bagagem prática, inteligência emocional, gestão de crises e memória corporativa para orientar e mentorar.
- A Geração Z e os Millennials trazem velocidade de adaptação, intimidade nativa com novas tecnologias, IAs e inovação constante.
Por que a colaboração intergeracional é vital para a Tecnologia?
Na área de Tecnologia e Desenvolvimento de Software, onde a busca por talentos é alta e o aprendizado é contínuo, unir a maturidade profissional com a agilidade dos novos talentos cria equipes mais resilientes.
Programas de mentoria reversa (onde jovens ensinam novas ferramentas/IAs aos mais seniores, e profissionais maduros orientam soft skills e arquitetura aos mais jovens) têm se mostrado estratégias de alto impacto nas maiores empresas do mundo.
Conclusão
Enfrentar o etarismo é reconhecer que a idade não define a capacidade de aprender, inovar e entregar resultados. Promover times diversos em idade é garantir um ambiente de trabalho mais humano, inovador e alinhado com o futuro.
📌 Informações de Autoria e Fonte
- Artigo de Referência: Desafiando o etarismo: como a colaboração entre gerações pode transformar o mercado de trabalho
- Autora do Conteúdo Original: Silvia Mendonça (SECOM / TST)
- Fonte Oficial: Tribunal Superior do Trabalho (TST) / Agência de Notícias
- Data da Matéria Original: 01 de Outubro de 2024
- Link da Fonte: Acesse a matéria na íntegra no TST



