🎓Da curiosidade pela programação à graduação em Tecnologia da Informação: mais uma etapa concluída
CodeVerse2026 – Artigo #18
🧑💻 Fala, Galera Dev! 👋
Agosto de 2026 ficará marcado na minha trajetória. Depois de alguns anos conciliando trabalho, família, cursos, projetos e muitas horas de estudo, concluí minha graduação em Tecnologia da Informação com ênfase em Dados pela UNIVESP. Mais do que receber um diploma, chegar até aqui me fez olhar para trás e lembrar de como essa caminhada começou, muito antes de eu imaginar que um dia estaria escrevendo este artigo.
Minha história com programação começou por volta de 2017, quando um colega me mostrou um pouco de .NET e C#. Naquele momento achei incrível a possibilidade de criar alguma coisa praticamente do zero utilizando código. Comecei a estudar, mas ainda de maneira tranquila e esporádica, sem grandes pretensões. Era mais curiosidade do que um plano de carreira, mas aquela pequena experiência acabou plantando uma semente.
💻 Quando estudar programação virou parte da rotina
Foi por volta de 2020 que comecei realmente a levar os estudos de programação mais a sério. Eu estava em um momento mais tranquilo da minha carreira e consegui encontrar espaço para me dedicar mais aos estudos. Passei a estudar por cursos gratuitos, bootcamps, videoaulas no YouTube, documentações, tutoriais e qualquer outro material que pudesse me ajudar a entender melhor aquele universo que cada vez mais despertava minha curiosidade.
Durante aproximadamente três anos fui aprendendo um poco a cada dia, sem nenhuma pressão. Estudava programação, criava pequenos projetos, errava bastante, pesquisava e tentava novamente. Não existia uma trilha perfeitamente organizada. Muitas vezes eu aprendia alguma tecnologia simplesmente porque precisava dela para resolver determinado problema. Aos poucos, porém, comecei a perceber que queria dar um passo além e buscar também uma formação acadêmica na área.
Eu idealiza algum projeto que queria criar e corria atras de aprender como fazer o que queria aplicar através de tutorias de projetos dos outros, buscando replica-los na meu código, só que da minha forma. Alguns projetos que desenvolvi nessa época foi um Quiz_de_Perguntas e respostas que fiz como surpresa de casamento, um aplicativo usando windows forms para fazer Controle_de_Acesso e iniciei o WorldWar, esse ultimo só consegui terminar no inicio desse ano.
🎯 A tentativa que não deu certo também fez parte do caminho
Em 2022 fiz o vestibular do CEDERJ e consegui ser aprovado, mas a vaga disponível era para um polo muito distante de onde eu morava. Preferi não iniciar naquele momento e continuar estudando enquanto aguardava outra oportunidade. Foi uma decisão difícil, principalmente depois de ter conseguido a aprovação, mas nem sempre aquilo que conseguimos naquele momento é necessariamente o melhor caminho para seguirmos.
Resolvi então tentar novamente, dessa vez na UNIVESP, e em 2023 consegui a aprovação e finalmente ingressei na graduação. Começava ali uma nova etapa. Eu já possuía alguma experiência adquirida nos cursos e bootcamps, mas agora encontraria uma abordagem diferente, com disciplinas estruturadas, avaliações, projetos, prazos e uma visão acadêmica muito mais ampla sobre tecnologia.
📚 Estudar online não era novidade. A faculdade era...
Por já estudar através de cursos online havia alguns anos, imaginei que a adaptação ao ensino a distância seria relativamente simples. Mas descobri rapidamente que assistir a um curso online e cursar uma graduação online são experiências bastante diferentes. O problema não estava em estudar sozinho ou assistir às aulas pela internet. Minha maior dificuldade inicial foi entender a plataforma, os prazos, as avaliações e principalmente a metodologia da universidade.
Nos cursos de programação eu estava acostumado com aulas muito objetivas, muitas vezes de 10 ou 20 minutos, seguidas imediatamente pela prática. Na graduação encontrei aulas de 30 minutos, 50 minutos ou até uma hora, com uma carga teórica muito maior. Precisei mudar minha maneira de estudar e entender que nem todo conhecimento apresenta um resultado imediato na tela. Algumas coisas primeiro precisam ser compreendidas para depois fazerem sentido na prática.
🧭 No começo, você fica um pouco perdido
Existe também uma dificuldade no ensino online sobre a qual nem sempre falamos. Quando começamos uma graduação presencial, normalmente temos colegas ao nosso lado vivendo exatamente as mesmas dúvidas. No ambiente virtual, principalmente nas primeiras semanas, podemos nos sentir um pouco perdidos. Tudo é novidade: onde entregar determinada atividade, quando termina o prazo, como funciona a prova, onde está aquele material e o que exatamente precisa ser feito.
Depois de algum tempo você começa a compreender o funcionamento da instituição e cria sua própria rotina. Aquilo que parecia complicado no primeiro semestre passa a ser natural nos seguintes. Essa adaptação também fez parte do aprendizado. Não aprendi somente conteúdos relacionados à tecnologia. Aprendi a organizar melhor meus estudos, controlar prazos e, principalmente, assumir a responsabilidade pelo meu próprio processo de aprendizagem.
🧠 A faculdade não vai aprender por você!
Durante a graduação cheguei a uma conclusão que gosto de explicar com bastante cuidado: a faculdade não ensina tudo. Isso não significa que a instituição não ensine, muito pelo contrário. O que quero dizer é que uma graduação apresenta fundamentos, conceitos, caminhos e materiais para que possamos construir conhecimento, mas nenhuma instituição consegue obrigar alguém a realmente aprender ou dominar determinada tecnologia.
Em várias disciplinas encontrei assuntos que já havia estudado na prática em cursos e bootcamps, principalmente na DIO. A diferença é que agora conseguia enxergar uma camada mais profunda e teórica daquilo que anteriormente havia aprendido apenas pela prática. Ao mesmo tempo, percebi que cabia a mim utilizar os materiais complementares, pesquisar além das aulas e praticar. A instituição oferece o caminho, mas quem precisa caminhar somos nós.
😅 E então apareceu o Cálculo...
Nem todos os semestres foram tranquilos. Algumas disciplinas realmente fizeram com que eu questionasse minhas escolhas por alguns momentos. Cálculo foi uma delas. Na minha perspectiva, quando uma fórmula começa a apresentar mais letras do que números, meu cérebro já começa a pedir uma reunião para discutir o assunto. 😂 Mas não tinha muito para onde correr. Era estudar, tentar entender e continuar.
Passei? Passei. Com tranquilidade? Nem tanto. Mas passei! E talvez essa seja outra coisa importante que a graduação me ensinou. Nem sempre precisamos ser excelentes em tudo. Existem momentos em que precisamos simplesmente continuar avançando. Se olharmos apenas para a dificuldade daquele dia, desistir parece uma possibilidade. Quando olhamos para aquilo que queremos construir no futuro, encontramos motivos para continuar.
🤝 Os Projetos Integradores mudaram minha visão
Um dos pontos da Univesp que mais passei a valorizar foram os Projetos Integradores, os famosos PIs. Confesso que inicialmente não gostei muito da ideia. Durante minha graduação participei de três projetos desse tipo, reunindo grupos de alunos para desenvolver uma solução tecnológica durante praticamente um semestre inteiro. Com o tempo percebi que eles traziam justamente uma experiência que uma prova tradicional dificilmente conseguiria proporcionar.
De maneira simplificada, o PI funciona quase como um pequeno TCC realizado em grupo. Precisamos identificar um problema real, propor uma solução tecnológica, desenvolver a aplicação e justificar como aquele projeto pode contribuir para uma empresa, organização, estabelecimento ou comunidade. Além do sistema funcionando, precisamos documentar todo o processo através de entregas como plano de ação, relatório parcial e relatório final.
No encerramento, o projeto precisa estar funcional e o grupo também produz um vídeo apresentando a solução desenvolvida. Existem ainda reuniões com os facilitadores, acompanhamento das atividades e avaliações entre os próprios integrantes. Na prática, não estamos lidando somente com programação. Precisamos administrar prazo, documentação, comunicação, divisão de tarefas, diferentes níveis de conhecimento e, principalmente, aprender a trabalhar com outras pessoas.
E como em todo trabalho em grupo, sempre tem os espertinhos que não querem fazer nada e receberem a nota, aí o grupo deve saber se posicionar e deixar bem claro que todos devem participar. Pois tem uma parte do PI, onde todos devem avaliar o quanto os colegas contribuíram. Não precisa discutir nem nada, acho que a melhor maneira de resolver é se posicionar e apresentar seu ponto de vista de forma clara, sem ser rude.
👥 Trabalhar em grupo também é tecnologia
Nos PIs encontrei pessoas com diferentes experiências e momentos de vida. Alguns alunos estavam tendo praticamente o primeiro contato com programação, enquanto outros já possuíam mais facilidade com desenvolvimento. Existiam também aqueles que contribuíam melhor com documentação, normas da ABNT, pesquisa ou apresentação. Nem todo mundo precisava escrever código para contribuir de maneira importante com o projeto.
📝 Um formato que ajudou bastante nos estudos
Outro ponto que gostei na organização da UNIVESP foi a divisão das seis disciplinas do semestre em dois bimestres. Em vez de estudar seis matérias ao mesmo tempo durante todo o período, conseguíamos concentrar nossos esforços em três disciplinas durante aproximadamente oito semanas, realizar as avaliações finais dessas disciplinas e depois iniciar outras três. Para mim, essa estrutura tornou a carga de estudos mais administrável.
As atividades semanais também contribuíram bastante. Ao final dos conteúdos de cada semana tínhamos questionários, com quatro a dez questões e um número limitado de tentativas. Essas atividades compunham parte da nota final, valendo 40% do peso na nota final enquanto a avaliação presencial realizada no polo tinha o maior peso, valendo 60% da noto final. Isso fazia com que estudar durante todo o bimestre fosse importante, evitando depender exclusivamente da prova final.
⏰ Faculdade, curso técnico, trabalho e família
Durante boa parte da graduação ainda tive outro desafio: por aproximadamente um ano e meio também estava cursando paralelamente o Técnico em Desenvolvimento de Sistemas na FAT. Isso significava dividir minha rotina entre graduação, curso técnico, trabalho, projetos, estudos individuais e família. Não encontrei nenhuma fórmula mágica para conseguir administrar tudo isso. O que encontrei foram pequenos espaços no meu dia.
Em vários momentos utilizei parte do horário de almoço para estudar. Em outros, acordava mais cedo e aproveitava aquele período antes de começar a correria do trabalho. Também passei muitos finis de semana estudando. Não foi uma rotina perfeita e certamente existiram dias em que não consegui fazer aquilo que havia planejado, mas fui aprendendo a priorizar aquilo que precisava ser feito naquele momento.
Essa experiência também mudou bastante minha visão sobre disciplina. Motivação ajuda muito quando começamos alguma coisa, mas dificilmente permanece igual durante anos. Existem dias em que estamos animados para estudar e existem aqueles em que a última coisa que queremos fazer é abrir uma aula depois de um dia inteiro de trabalho. Nesses momentos, ter um objetivo claro fez toda a diferença para continuar.
❤️ Ninguém chega sozinho
Por isso, essa conquista também pertence um pouco às pessoas que estiveram ao meu lado durante esse período. Sou muito grato à minha família e especialmente à minha esposa, que iniciou essa caminhada comigo, ela cursando Administração. Nós compartilhamos dúvidas sobre a universidade, dificuldades, prazos e aquela rotina que somente quem está estudando enquanto trabalha consegue compreender completamente.
Sem esse apoio e compreensão dentro de casa seria muito mais difícil dedicar tantas horas aos estudos. Cada prova, trabalho, noite estudando e final de semana utilizado em algum projeto também afetava de alguma maneira nossa rotina familiar. Ter pessoas ao meu lado que compreenderam o que eu estava buscando tornou possível continuar quando o cansaço aparecia.
🎓 Agosto de 2026: graduação concluída!
Agora, em agosto de 2026, finalmente posso dizer que concluí minha graduação em Tecnologia da Informação com ênfase em Dados. Quando olho para aquele primeiro contato com C# em 2017, para os estudos mais intensos iniciados em 2020 e para meu ingresso na universidade em 2023, consigo perceber melhor como pequenas decisões tomadas ao longo dos anos foram construindo o caminho até aqui.
Tenho muito a agradecer à UNIVESP e a todas as pessoas envolvidas nessa estrutura. Professores, facilitadores, técnicos e profissionais responsáveis pelas aulas, exercícios, materiais de apoio, plataforma e avaliações. Quando somos alunos, normalmente enxergamos apenas aquilo que aparece na nossa tela, mas existe uma estrutura enorme trabalhando para que todo esse processo de ensino aconteça.
🚀 O diploma encerra uma etapa, não o aprendizado
Concluir uma graduação não me faz sentir que terminei de estudar tecnologia. Na verdade, acontece justamente o contrário. Quanto mais aprendo, mais consigo enxergar tudo aquilo que ainda não sei. Tecnologia muda rápido demais para acreditarmos que algum diploma, curso ou certificação representa o final do processo de aprendizagem.
O que mudou é que hoje consigo olhar para minha trajetória e perceber uma evolução.
💭 O que essa graduação realmente me ensinou
Se tivesse que resumir esses anos em apenas uma lição, provavelmente não escolheria nenhuma linguagem de programação, framework ou conceito técnico. O principal aprendizado foi entender que ninguém consegue aprender por nós. Podemos ter professores, cursos, universidades, Inteligência Artificial, livros e toda informação do mundo disponível, mas ainda precisamos decidir sentar, estudar, praticar, errar e continuar.
Nem todo dia será produtivo. Nem todo semestre será fácil. Nem todo projeto dará certo na primeira tentativa. Algumas matérias vão nos desafiar, alguns trabalhos vão consumir muito mais tempo do que imaginávamos e existirão momentos em que desistir parecerá uma alternativa razoável. Mas uma dificuldade momentânea não precisa definir o restante da nossa trajetória.
Hoje encerro mais uma etapa, mas não iludido. Pois por vezes imagina que quando tivesse formado eu me sentiria preparado para todos os desafios. Hoje reflito sobre a diferença entre o Carlos de hoje e o Carlos de quando começou a graduação. Hoje tem coragem de dar o primeiro, ir fazer os projetos, mesmo sem saber todas as tecnologias empregadas nele, me dedicar e buscar entender e aprender sobre ela durante a caminhada. Nem sempre vamos saber sobre tudo, mas devemos estar aptos a aprender e evoluir no nosso dia a dia.
Se tem algo que essa caminhada me mostrou é que evolução profissional não acontece de uma vez. Ela acontece aos poucos, aula após aula, projeto após projeto e, no nosso caso, um commit de cada vez. 🚀




