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Argeu Almeida05/10/2026 20:09
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As Urnas Eletrônicas São Seguras - Análise da Segurança do Processo Eleitoral brasileiro

    Vamos falar sobre polêmica... Segurança das Urnas Eletrônicas

    Nesse artigo vou dizer como funciona o processo de auditoria e transmissão de votos do sistema eleitoral brasileiro. E depois você decide o que faz com essas informações

    CONTEXTO "TÉCNICO FILOSÓFICO"

    Uma pergunta que deve reinar sobre sua mente enquanto assiste esse vídeo: 

    "existe um sistema 100% seguro?"

    Tem uma máxima em segurança da informação que diz: o único computador 100% seguro está desligado, dentro de um cofre e enterrado - e ainda assim não tenho certeza.

    Então qualquer afirmação que diga que algum sistema ou tecnologia é invulnerável, é falsa do ponto de vista técnico.

    Primeiro vamos definir o que é um sistema seguro:

    "é aquele que protege os dados contra acessos não autorizados, garantindo a confidencialidade, a integridade e a disponibilidade das informações."

    Então para a urna ser considerada segura, temos que verificar se os votos irão ser acessados quando necessário, de forma anônima, não corrompidos, e por quem é autorizado.

    Quando se trata de segurança da urna eletrônica, não estamos falando somente da urna como máquina

    mas de um processo inteiro que envolve auditorias e testes de penetração.

    A URNA COMO MÁQUINA

    Falando sobre a urna em si:

    É um pequeno computador que não possui conexão sem fio de nenhum tipo, o que já previne 90% dos possíveis ataques. 

    Das conexões com fio possíveis são uma saída de áudio para deficientes visuais e pelo menos 4 portas USB, apenas 2 delas são usadas mas todas permanecem lacradas durante o pleito. As portas usb são usadas para a mídias físicas, a mídia da aplicação, que sua função principal é ser um backup dos votos em caso de falha da urna e a mídia de resultado, que só é retirada no final da votação com os resultados finais daquela seção.

    Já na placa-mãe, a urna se parece com qualquer outro computador domestico, anão ser pelo segundo processador chamado de modulo de segurança embarcado, que tem basicamente a função de verificar se todos os componentes presentes na urna estão íntegros através de hashes e versionamento.

    Se houver discrepância na auditoria interna da própria urna ela desliga em até 1 minuto.

    ANTES DO DIA DA ELEIÇÃO

    Agora todo o processo de segurança eleitoral não começa no dia da eleição começa 12 meses antes com a abertura do código-fonte.

    O TSE realiza a abertura do código-fonte das urnas, não para o público geral mas para as chamadas entidades fiscalizadoras, que é um grupo até bem abrangente, vou colocar a lista abaixo, esse acesso acontece em ambiente controlado pelo TSE.

    Entidades Fiscalizadoras:

    • partidos políticos, federações e coligações;
    • Ordem dos Advogados do Brasil (OAB);
    • Ministério Público;
    • Defensoria Pública;
    • Congresso Nacional;
    • Controladoria-Geral da União;
    • Polícia Federal;
    • Sociedade Brasileira de Computação;
    • Conselho Federal de Engenharia e Agronomia;
    • Conselho Nacional de Justiça;
    • Conselho Nacional do Ministério Público;
    • Tribunal de Contas da União;
    • Confederação Nacional da Indústria, demais integrantes do Sistema Indústria e entidades corporativas pertencentes ao Sistema S;
    • entidades privadas brasileiras, sem fins lucrativos, com notória atuação em fiscalização e transparência da gestão pública, credenciadas no TSE; e
    • departamentos de tecnologia da informação de universidades credenciadas no TSE.

    11 meses antes das eleições acontece o teste publico de Segurança, é um grande evento de pentest, em que cidadãos brasileiros maiores de 18 anos, que se inscreveram e foram aprovados podem realizar uma busca de vulnerabilidade no software ou hardware das urnas eletrônicas. Caso seja encontrada uma falha, em até 6 meses antes das eleições, aqueles que encontraram são chamados novamente para verificar se foi corrigida pela justiça eleitoral.

    Em até 60 dias antes do pleito, o Tribunal Regional eleitoral designa de forma pública a comissão de auditoria da Votação eletrônica, que serão os responsáveis por organizar o teste de integridade e o de autenticidade.

    Com até 20 dias antes das eleições acontece a cerimônia de assinatura digital e lacração do sistema. Nessa cerimônia, na presença das entidades fiscalizadoras, ocorre a apresentação da versão final dos sistemas eleitorais, o que inclui o código-fonte da urna, e estes ficam a disposição, antes da cerimônia, para as entidades fiscalizadoras para auditoria.

    Durante a cerimônia, é gerado o código hash de cada programa, e é aberto a oportunidade de representantes das entidades fiscalizadoras assinarem digitalmente, com programa próprio, para a verificação futura. Os arquivos originais são lacrados e colocados na sala-cofre do TSE, e sua cópia é distribuída para os 27 tribunais regionais, para fazerem as preparações.

    Esse procedimento tem a intenção de garantir que os sistemas eleitorais não foram alterados ou manipulados até o dia da eleição, pois se a assinatura digital em qualquer local for diferente da feita durante a cerimônia, ou das entidades fiscalizadoras indica alteração dos programas.

    Após essa cerimônia acontece uma auditoria em cada uma das 27 regiões eleitorais, em que representantes das entidades fiscalizadoras selecionam aleatoriamente até 6% das urnas preparadas para verificar se o sistema confere com o assinado na cerimônia de assinatura digital.

    Na véspera da eleição o juiz eleitoral de cada zona, realiza o teste e a auditoria dos sistemas de transmissão de votos, comparando o código hash com o gerado no dia da Cerimônia de Assinatura.

    NO DIA DA ELEIÇÃO

    No dia da votação a partir das 7h, inicia o chamado teste de autenticidade dos sistemas das seções escolhidas pelas entidades fiscalizadoras ou sorteadas no dia anterior, o objetivo é verificar se os hashes dos sistemas embarcados na urna condizem com os pré-definidos na cerimônia de assinatura digital. O teste é público e tem a presença do juiz eleitoral, do mesário presidente e das entidades fiscalizadoras.

    No teste de autenticidade o juiz, verifica se a urna que está ali foi realmente a designada para aquela seção, após isso ele rompe o lacre da urna pare retirar a mídia de resultado e fazer sua verificação no programa oficial de auditoria do TSE. Após isso é feita a impressão na própria urna de até 3 cópias do relatório com todos os resumos digitais, uma das cópias é para a ata oficial do teste, e as outras ficam a disposição das entidades fiscalizadoras. Ao final a urna é posta novamente a atividade da seção com um novo lacre.

    Logo antes das votações começarem, em todos as seções é impressa a zerésima, que é basicamente o saldo de votos que a urna possui para cada candidato, que deve mostrar zero votos para todos. 

    Às 8 horas, inicia-se a votação, ao mesmo tempo em que está acontecendo a votação oficial está acontecendo o teste de integridade, que ocorre em duas modalidades, a tradicional que acontece em um local público de expressiva circulação e é obrigatoriamente transmitida ao vivo pelo Youtube, e a modalidade com biometria, que ocorre no local da seção, com a transmissão ao vivo sendo opcional.

    O teste de integridade tradicional tem o objetivo de testar se o número de votos que entra na urna é o mesmo que sai como resultado. Para isso no dia anterior as entidades fiscalizadoras escolhem a urnas de quais seções passarão pela auditoria, se não fizerem isso ou não houver escolhas o suficiente é feito um sorteio.

    NO dia da eleição a urna selecionada deixa de ir para a sua seção original e vai para o local do teste. O procedimento é simples: é escrito em cédulas de papel determinados votos em candidatos, esses votos são digitados um a um na urna eletrônica ao pé da letra como estão nas cédulas.

    O teste termina no mesmo momento do em que a eleição, às 17h, e o resultado total dos votos dessa urna devem condizer com o número de votos pré-determinados nas cédulas de papel.

    As urnas que participarão do teste de integridade com biometria são selecionadas da mesma forma que o teste tradicional, só que esse teste acontece no mesmo local da seção eleitoral em um ambiente diferente mas ainda público. O teste consiste no mesmo modelo do tradicional, porém com eleitores reais que após terem votado são convidados a participar da auditoria usando sua biometria e o voto que também está em cédulas de papel.

    Às 17h, os mesários de todo o brasil devem iniciar os processos de encerramento nas urnas, e de forma imediata as urnas realizam a assinatura digital no arquivo de votos, aplicando o registo de horário e o arquivo do boletim de urna. Esse processo tem o objetivo de impedir a alteração posterior sem que seja percebida.

    O mesário imprime pelo menos 5 cópias do boletim de urna que é a soma dos votos daquela seção, uma das cópias é colocada na porta da seção eleitoral de forma publica para todos verem. Após isso é retirado o lacre da mídia de resultado, e ela é levada até um dos pontos de transmissão oficiais definidos pela justiça eleitoral.

    Envio dos Resultados

    Para enviar as informações que estão na mídia de resultado para o tribunal regional eleitoral é usado um conjunto de sistemas embarcados em um pendrive chamado JE-Connect, que pode operar em qualquer computador. Com o programa iniciado é conectada a mídia de resultado no computador e o software faz uma verificação se a mídia conectada é realmente da urna eletrônica e se não foi alterada, através da assinatura digital. O JE-Connect se conecta a um túnel VPN da Justiça eleitoral para o envio dos arquivos da mídia de resultado que já estão criptografados. 

    Após a chegada dos arquivos no Tribunal, o Sistema Receptor de Arquivos de Urna faz 2 verificações imediatas:

    À partir da tabela de correspondência, verifica se aquele boletim eletrônico foi gerado pela exata urna eletrônica física que foi preparada para aquela seção eleitoral específica;

    E checa se os arquivos de resultado estão assinados com a chave privada única daquela urna correspondente.

    Só então os arquivos são decifrados e somados na totalização dos votos.

    DEPOIS DAS ELEIÇÕES

    Em até 3 dias depois da votação, o TSE publica na internet o boletim de urna e suas assinaturas, o Registro Digital do Voto, e os logs das urnas, para auditoria pública. Então qualquer pessoa pode verificar se o resultado da sua seção eleitoral foi o que chegou ao TSE, pelo menos segundo o que foi impresso pela urna da seção.

    As entidades fiscalizadoras tem até 100 dias após o primeiro turno para solicitarem dados, relatórios e arquivos eletrônicos oficiais para fazerem sua própria auditoria. E em algum momento após os 100 dias os cartórios eleitorais fazem o descarte das das mídias de dados das eleições.

    CONCLUSÃO

    É um processo bem robusto, que pode ser melhorado. Esteja livre para duvidar de algo ou confiar, porém tenha opinião com base sólida e não apenas em frases prontas e boatos, ou seja, se for acreditar que não é seguro tenha o método em mente, se for definir como seguras também tenha o método.

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